O Diabetes Mellitus (DM) é hoje considerado um sério e crescente problema de saúde pública em países desenvolvidos e em desenvolvimento, devido ao aumento de sua prevalência, morbidez e mortalidade. No mundo existem 230 milhões de diabéticos (6% da população adulta) e estima-se que existirão 120 milhões de novos casos até 2025.
A maioria desses indivíduos apresentará DM tipo 2 e estará na faixa etária de 45 a 64 anos, portanto, em fase de grande participação no mercado de trabalho, cujo tratamento acarretará elevado custo direto e indireto social, humano e econômico. Nos últimos anos a incidência de DM tipo 2 em crianças e adolescentes também vem aumentando.
O DM tipo 1 aparece como resultado da destruição das células produtoras de insulina do pâncreas. Essa destruição é provocada por células de defesa do próprio organismo, que reconhecem as células produtoras de insulina como estranhas. Algumas vezes, esses anticorpos são encontrados no sangue. Não se sabe exatamente a causa que inicia o processo, mas existem pesquisas indicando fatores genéticos, vírus, dentre outros.
O DM tipo 1 se inicia mais comumente na infância e adolescência, porém também pode se iniciar na idade adulta. Representa de 10 a 20% dos casos de diabetes e requer, obrigatoriamente, o uso de insulina.
O DM tipo 2 representa cerca de 80 a 90% dos casos de diabetes. Ele resulta de um mecanismo duplo, pois existe tanto uma resistência à ação da insulina nas células do organismo quanto uma redução progressiva da produção de insulina pelo pâncreas. Este último mecanismo da doença é muitas vezes esquecido e explica porque a maioria dos pacientes vai necessitar do uso de insulina, geralmente após um período longo de evolução da doença.
Inicia-se na idade adulta mais frequentemente. Mas devido à "epidemia" de obesidade que ocorre no mundo, cresce cada vez mais sua incidência entre crianças. Está associado ao excesso de peso, vida sedentária, idade avançada e tem forte influência hereditária.
Sintomas
O DM pode ocasionar vários sinais e sintomas, entre eles: sede excessiva; vontade de urinar diversas vezes; perda de peso (mesmo sentindo mais fome e comendo mais do que o habitual); visão embaçada; infecções repetidas na pele ou mucosas; machucados que demoram a cicatrizar; cansaço inexplicável; dores nas pernas. Em vários casos, não há sintomas importantes até que o paciente apresente um quadro grave.
O diagnóstico do DM é feito através da medida da glicose do sangue. Os valores diagnósticos estabelecidos pela American Diabetes Association (ADA) são:
Normal: glicemia de jejum entre 70 mg/dl e 99mg/dl e <140mg/dl, 2 horas após sobrecarga de glicose (teste de tolerância à glicose).
Glicemia de jejum alterada: glicemia de jejum entre 100 a 125mg/dl.
Intolerância à glicose: glicemia entre 140 mg/dl e 200mg/dl, 2 horas após sobrecarga de glicose (teste de tolerância à glicose).
Diabetes: 2 amostras colhidas em dias diferentes com resultado igual ou acima de 126mg/dl ou quando a glicemia feita a qualquer hora, estiver igual ou acima de 200mg/dl na presença de sintomas.