Pesquisadores da Radboud University Nijmegen, na Holanda, desenvolveram um estudo que sugere ser possível destruir memórias específicas do cérebro. A técnica envolve aplicação de correntes elétricas no cérebro, provocando uma convulsão temporária.
Na experiência, os pacientes recebiam dois grupos de fotografias com histórias diferentes. Logo antes da sessão de eletrochoque, eles tinham que observar uma das duas histórias novamente, para reativar aquela memória específica.
Logo após o tratamento, eles haviam esquecido a história do grupo de fotos que tinham acabado de ver, pela segunda vez. A memória da outra história - que só havia sido vista uma vez - não foi afetada pela corrente elétrica.
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"Não me lembro. Sei que eles me mostraram alguma coisa, mas não lembro o que era", disse à BBC a holandesa Jannetje Brussaard-Nieuwenhuizen, que faz terapia de eletrochoque desde 1969 para tratar da depressão e participou do estudo.
Seu depoimento encorajou os pesquisadores. Eles esperam que o estudo possa eventualmente ajudá-los a tratar distúrbios como o transtorno do estresse pós-traumático.
Mesmo se a eficácia da técnica for cientificamente comprovada, ainda restam dúvidas sobre as justificativas e implicações de uma prática capaz de destruir memórias.
Os pesquisadores também ressaltam que o estudo foi feito com memórias artificiais, mas as conexões profundas que existem sob as memórias reais podem ser mais difíceis de apagar. (com informações da BBC Brasil)