Pesquisar

ANUNCIE

Sua marca no Bonde

Canais

Serviços

Estudo

Só 15% dos médicos brasileiros se dizem capazes de lidar com coronavírus, aponta pesquisa

Cláudia Collucci/Folhapress
27 abr 2020 às 15:44

Compartilhar notícia

Unsplash
siga o Bonde no Google News!

Apenas 15,5% dos médicos brasileiros se sentem capacitados para atender casos suspeitos e confirmados de Covid-19, em qualquer fase da doença, inclusive quando graves, sob tratamento intensivo.

Um parte deles (11%) se diz disposta a querer aprender como lidar com a doença, mas quase um quinto (18,5%) não está disposto a fazê-lo.


Os resultados são de uma pesquisa realizada pela APM (Associação Paulista de Medicina) com 2.312 médicos de todo o país, entre 9 e 17 de abril. As respostas foram espontâneas, a partir de questionário estruturado online, via plataforma Survey Monkey.


De acordo com o levantamento, 65% dos entrevistados trabalham em hospitais e prontos-socorros que recebem pacientes com Covid-19 e 59% haviam atendido alguém desse grupo.


Outros 34% disseram ter cuidado de pessoas com confirmação da doença. E 13% relatam que acompanharam doentes que acabaram morrendo.


Segundo José Luiz Gomes do Amaral, presidente da APM, o despreparo é preocupante, mas a situação já pode te sido mudada nas últimas semanas porque existem várias iniciativas em curso para capacitar os profissionais de saúde.


Ele afirma que cursos rápidos, de 36 a 48 horas, já conseguem fornecer um treinamento ao profissional médico. "Você não vai conseguir formar um intensivista, porque isso vai demandar dois ou três anos, mas consegue treiná-los para ajudar nas UTIs."
Um outro dado que já pode ter sido mudado desde que a pesquisa foi feita, segundo Amaral, é sobre os serviços de saúde que não dispõem de áreas dedicadas a pacientes com Covid-19.


No levantamento, os médicos relataram que em 30% dos locais onde atuam não havia essa separação. "A pandemia é dinâmica, as coisas mudam rapidamente e essa situação também já pode ter sido mudada."


Conforme o levantamento, 90% dos médicos entrevistados ainda não se submeteram a qualquer tipo de teste diagnóstico para a Covid-19. Mais de um terço deles (34,8%) pertence a grupos de risco, sofrendo de doença cardiovascular, insuficiência renal, obesidade, doença respiratória, hipertensão e/ou diabetes.


Somente 14% dos entrevistados dizem que os locais em que atendem têm testes suficientes para todos os pacientes com sintomas de Covid-19.


Para Amaral, a pesquisa mostra que há carências importantes para um atendimento seguro e para uma prestação de assistência adequada.


"Ainda há pouca disponibilidade de testes, mesmo para os casos suspeitos. Eu mesmo tentei fazer o sorológico, para saber se já tive contato com a doença, e demorei uma semana para conseguir uma agenda", afirma.


A percepção de 86,6% dos médicos consultados é a de que seus colegas estão apreensivos, deprimidos, pessimistas, insatisfeitos e revoltados.


Só 13,4% registram sentir tranquilidade ou otimismo no ambiente de trabalho. Quase um quinto deles (18,5%) estão afastados de familiares para não colocá-los em risco.


Segundo Amaral, a apreensão é compreensível, mas as reações extremadas, que vão do otimismo exagerado à depressão e revolta, não são adequadas.


Para ele , são bem-vindas iniciativas que ofereçam ajuda psicológica aos profissionais de saúde nesse momento. "Eles precisam encontrar significados para si mesmos."

Cadastre-se em nossa newsletter

De acordo com Amaral, um fator grande de preocupação dos médicos que estão na linha de frente é em relação às famílias. "Muitos têm filhos pequenos. Mesmo que consigam se isolar, há uma desagregação familiar."


Últimas notícias

LONDRINA Previsão do Tempo

Portais

Anuncie

Outras empresas