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Tecnologia em excesso afeta a saúde física e mental das crianças

09 out 2015 às 16:36

As mãos pequenas das crianças podem catar as letras miúdas das telas touchscreen de forma bem mais ágil que os dedos maiores dos adultos. Nascidos no período em que a internet é tão comum quanto a televisão — até mais, no universo de alguns deles —, os pequenos se assustam quanto algo não pode ser acionado apenas com o indicador e dão baile nos pais quando estes sofrem para conseguir encontrar alguma funcionalidade naquele aparelho de última geração. Eles usam Whatsapp para conversar com as mães, postam selfies no Instagram e a grande maioria está no Facebook — mesmo sendo, teoricamente, proibido para menores de 13 anos.

Vetar o uso é praticamente impossível. Afinal, até mesmo os pais estão aficionados pelo que tablets e smartphones são capazes de fazer. Porém, entre as vantagens e as possibilidades do meio virtual e de seus acessórios, há revezes que começam a ser contabilizados. Relatório divulgado no último dia 16 pela Public Health England, agência responsável por definir os parâmetros do sistema de saúde público britânico, apontou que crianças que passam muito tempo na internet estão desenvolvendo problemas de saúde mental.


De acordo com matéria publicada pelo site do jornal inglês The Telegraph, o relatório garante que aquelas que passam mais de quatro horas conectadas diariamente são as que mais correm riscos, que vão desde problemas sociais, passando por depressão, ansiedade e baixa autoestima. Os dados foram considerados alarmantes e reforçam o temor de pais e educadores quanto à dificuldade em fazer com que as crianças consigam se desligar desses aparelhos.


"Não podemos privá-los desse contato porque essa é a realidade. Mas temos de criar regras para que isso não se torne um problema", garante o analista de sistemas Claudeci Espeçamilha, 43 anos. Ele é pai de Vinícius, 7 anos. Com a mulher, a agente de viagens Carolina Hirata, 35 anos, Claudeci decidiu estabelecer regras quando percebeu que a rotina de estudos do filho já estava prejudicada. Agora, Vinícius só pode ligar o tablet quando ele termina as obrigações. "Esse é um problema pelo qual todas as mães passam atualmente. Sou mais liberal, mas quando senti que estava excedendo o limite, tive mais controle", completa Carolina.


Esse é o caminho trilhado por muitas famílias. Elas concordam com a necessidade de que os filhos não cresçam à margem desse univerno, mas sabem que a tecnologia não pode ser a única fonte de diversão das crianças. Cinara Barbosa, professora de 40 anos, é mãe de Marina, 10 anos, e Davi, 6. Mesmo permitindo que eles façam uso de tablets e celulares, ela monitora tudo o que eles veem. "Com minha filha, é bem fácil. Já com o Davi tenho mais dificuldades, principalmente em relação aos jogos", afirma.


A professora diz não concordar com radicalismos, como cortar totalmente o uso. Apesar disso, não enxerga a tecnologia como simples brinquedo. "É preciso que a gente observe os filhos que tem. Se você tem um que adora esses aparelhos, use mais com ele, mas explique que não é saudável viver imerso nessa realidade. Tanto que os meus praticam atividade física, fazem leitura, brincam. Tudo em excesso é prejudicial."

A pesquisa Digital Diares é realizada desde 2010, pela AVG Technologies, com mães de todo o mundo. Os últimos resultados, divulgados neste ano, mostraram que, na faixa etária entre 3 e 5 anos, 66% das crianças conseguem operar jogos de computador e 47% delas sabem usar um smartphone. Em contrapartida, somente 14% são capazes de amarrar os cadarços e só 23% sabem nadar.
(com informações do site Saúde Plena)


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