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Zika em secreções não significa transmissão, alertam infectologistas

Agência Estado
06 fev 2016 às 08:54

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A descoberta do vírus zika em saliva e em outras secreções do corpo humano já era esperada. E isso não significa necessariamente que o vírus possa ser transmitido dessa forma. É o que apontam infectologistas ouvidos pelo Estado que vêm trabalhando com o zika. Eles reforçaram que não é caso de pânico. "Ainda é preciso demonstrar que existe transmissão por contato, o que os estudos não têm ainda", comenta o infectologista Esper Kallas, da USP.

Ele lembra que várias outras doenças virais, incluindo a infecção por HIV, podem ser detectadas na saliva; nem por isso são transmitidas pela secreção. De acordo com o médico, são necessárias outras condições. É preciso, por exemplo, que a quantidade de vírus presente nessas secreções seja grande o bastante e que ele sobreviva por um tempo fora do corpo, o que não é sabido se ocorre ainda.

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Jean Gorinchteyn, infectologista do Instituto Emílio Ribas, afirma que se a transmissão do zika estivesse ocorrendo por contato, o número de pessoas contaminadas seria muito maior. A estimativa do Ministério da Saúde é que 1,5 milhão de pessoas podem ter se infectado, sendo 80% assintomáticas.

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"O vírus está circulando há meses entre nós e não tivemos um alto nível de infecção como aconteceu com o H1N1 (gripe). Se a transmissão ocorresse pela saliva, o número de casos seria extremamente alto. Não vemos, por exemplo, famílias inteiras contaminadas. Em uma casa, tem uma, duas pessoas no máximo", afirma.


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