20/06/21
PUBLICIDADE
Cuidados

Algumas dúvidas sobre antibióticos e resistência bacteriana

Eles revolucionaram a maneira como tratamos infecções. Desde que o bacteriologista escocês Alexander Fleming descobriu a penicilina, em 1925, os antibióticos vêm desempenhando um papel fundamental no combate às infecções causadas por bactérias.

No entanto, o uso indiscriminado desse tipo de medicamento passou a preocupar as autoridades mundiais de saúde, pois, quando um antibiótico é utilizado, as bactérias que ele combate podem se tornar resistentes ao tratamento.

Este ano, a Organização Mundial da Saúde (OMS) divulgou uma lista de bactérias resistentes a múltiplos antibióticos. Esses organismos têm capacidades inatas de encontrar formas de resistir ao ataque dos medicamentos e podem transmitir seu material genético para outras bactérias, fazendo com que também se tornem resistentes aos fármacos.

A lista da OMS é dividida em três categorias principais: Acinetobacter, Pseudomonas e várias Enterobacteriaceae (incluindo Klebsiella, E. coli, Serratia e Proteus), responsáveis por causar problemas graves e que podem levar à morte, como infecções da corrente sanguínea e pneumonia.

Um relatório encomendado pelo governo britânico estima a morte de 10 milhões de pessoas por resistência bacteriana, em 2050, ultrapassando as mortes por câncer e diabetes, caso nenhuma medida de combate à resistência bacteriana seja instituída.

Seja dentro de casa (sob prescrição médica) ou no ambiente hospitalar, o uso de antibióticos e a resistência bacteriana ainda causam muitas dúvidas. Abaixo, a Dra. Ana Gales, coordenadora do Comitê de Resistência Antimicrobiana da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI), esclarece as principais.

Qual a função dos antibióticos e por que sua invenção representa um marco na história da humanidade?
Os antibióticos são substâncias capazes de matar bactérias – microrganismos que causam infecções. Algumas dessas infecções são graves e podem levar à morte. O uso desses medicamentos evita consequências mais graves. Antes dos antibióticos, algumas infecções, como a meningite bacteriana e a pneumonia bacteriana tinham altas taxas de mortalidade, que foram reduzidas consideravelmente.

O que são as chamadas "superbactérias"?
Nem sempre as superbactérias são as mais mortais. O que acontece é que elas carregam consigo muitos genes de resistência. Dessa maneira, há poucas opções terapêuticas para combatê-las, o que não significa uma sentença de morte e sim uma dificuldade maior de encontrar o tratamento mais adequado.

Quais são os riscos da resistência bacteriana?
O principal risco da resistência bacteriana é a redução do número de opções disponíveis para tratar as infecções.

Muito se fala sobre o relação do uso inadequado de antibióticos e o aumento da resistência bacteriana. Como isso acontece e o que pode ser feito para evitar o problema?
A bactéria resistente já existe na natureza. Quando utilizamos um antibiótico, involuntariamente favorecemos seu crescimento, porque o tratamento atinge as bactérias mais sensíveis dando espaço e condições para que as remanescentes (mais resistentes) cresçam e se multipliquem.

A chave para frear o crescimento das bactérias resistentes é evitar o uso de antibióticos, não só em humanos, mas na criação de animais, de desinfetantes e de metais pesados que têm ação antimicrobiana e podem favorecer a resistência bacteriana.

A população em geral tem a ideia de que as bactérias necessariamente são vilãs, que sempre causam doenças. Na realidade, muitas são benéficas, a exemplo das presentes na microbiota intestinal que são responsáveis por vários processos como a digestão de alimentos.

O que define o uso inadequado dos antibióticos?
Primeiro devemos definir o que é considerado adequado. Quando falamos em uso adequado, estamos falando daquele feito de acordo com o resultado do antibiograma, que é o teste realizado em laboratório para saber se a bactéria é sensível ao antibiótico ou não. Com isso estabelecido, a dose correta deve ser prescrita pelo período apropriado de tempo. No caso de infecções mais graves, a aplicação deve acontecer o mais rápido possível.

Existe algum risco de se tomar antibióticos prolongadamente? Quanto mais eu tomo um antibiótico, menos efeito ele faz?
Nesse caso, maior é a chance de ter uma mudança no equilíbrio da microbiota (bactérias naturalmente presentes no corpo). Existem algumas bactérias no organismo humano cuja função é proteção. Quando tomamos um antibiótico de maneira inadequada, podemos matar as bactérias "boas" e dar espaço para bactérias não habituais aparecerem, sobreviverem e se multiplicarem.

Por que não conseguimos mais comprar antibióticos sem receita?
O uso de antibióticos sempre foi condicionado à prescrição médica, mas desde outubro de 2010 a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) passou a exigir a retenção de receita para a compra de antibióticos. Isso aconteceu devido ao reconhecimento de que a resistência bacteriana ao antibiótico é um grave problema de saúde pública.

Houve queda nos índices de uso de antibióticos no país desde a implementação da medida em 2010?
Sabemos que houve uma queda no uso de antibióticos pela população – que geralmente não são os mesmos prescritos no ambiente hospitalar. Enquanto, na maioria dos casos, para o público geral são prescritos medicamentos orais, no ambiente hospitalar geralmente são utilizados antibióticos de outros grupos, mais fortes e de administração intravenosa.

A questão é que a redução do uso de antimicrobianos terá resultados visíveis em longo prazo. Porém, outros fatores interferem na resistência. O uso de antibióticos em animais de criação (pecuária, suinocultura, avicultura, piscicultura) e agricultura – também influencia na taxa de resistência. Aliás, 70% dos antimicrobianos são de uso veterinário e não humano.

Por que alguns antibióticos devem ser tomados de 6h em 6h, outros de 8h em 8h e outros de 12h em 12h?
A dose de um antibiótico varia de acordo com o tempo que cada um leva para sua concentração ser reduzida no sangue. Se eu tomar um antibiótico via oral, ele vai ser absorvido e passar para o sangue. Dependendo do tempo que demora para sua concentração cair no sangue – o que varia de medicamento para medicamento – haverá a metabolização e depois a excreção. Em linguagem clínica, o intervalo de doses é estabelecido pela meia-vida do antibiótico.

Qual é o risco de tratar um paciente com antibiótico sem que haja a real necessidade de utilizá-lo?
O antibiótico pode salvar muitas vidas, realmente, mas é muito utilizado erroneamente em casos de doenças respiratórias virais. As pessoas têm a impressão de que um antibiótico pode, por exemplo, evitar que uma gripe se transforme em pneumonia e pressionam o médico pela prescrição. Não adianta tomar um antibiótico se não houver infecção bacteriana, pois caso haja uma posteriormente, o caso pode se agravar ou haverá infecção por uma bactéria pouco comum ou já resistente aos medicamentos mais indicados para o tratamento.

Há novos antibióticos sendo pesquisados para ajudar a conter a resistência bacteriana?
Algumas companhias farmacêuticas estão enfrentando o desafio de desenvolver novos medicamentos eficazes no tratamento das bactérias multiresistentes. Um exemplo dessa movimentação é o investimento da MSD para disponibilizar um antibiótico que une de forma inédita os princípios ativos ceftolozana e tazobactam. O produto é indicado para tratar infecções intra-abdominais e das vias urinárias complicadas, causadas por Pseudômonas resistentes a carbapenêmicos como as Pseudomonas aeruginosa. Essas bactérias estão na lista de prioridade divulgada pela OMS.
Redação Bonde com Assessoria de Imprensa
PUBLICIDADE
Continue lendo
Vacina

Região de Londrina recebe mais de 13 mil doses da Pfizer

20 JUN 2021 às 11h51
Mudança geográfica

Óbitos por Covid no Brasil passam a atingir mais os de 50 anos

20 JUN 2021 às 11h06
Boletim da pandemia

Sesa confirma mais 11.839 casos da Covid-19 neste sábado

19 JUN 2021 às 16h28
Boletim diário

Londrina tem mais quatro óbitos por Covid-19 e 256 casos novos

19 JUN 2021 às 16h03
Crise sanitária

Brasil chega a 500 mil mortes por Covid ainda sem conter pandemia

19 JUN 2021 às 14h39
Boletim diário

Londrina ultrapassa 64 mil casos de Covid-19 e chega a 1.628 mortes pela doença

18 JUN 2021 às 18h00
Veja mais e a capa do canal
JORNAIS
Folha de Londrina
TELEVISÃO
MultiTV Cidades
OUTRAS EMPRESAS
Grafipress
RSS - Resolução máxima 1024x728 - () - Bonde - Todos os direitos reservados