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Pessoas que tiveram hepatite podem doar sangue?

Sua Saúde - Folha de Londrina
31 dez 1969 às 21:33

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Fui doar sangue e me disseram que eu não poderia ser doador porque tinha anticorpos para as hepatites B e C, apesar de ter me curado sozinho das duas hepatites. Outro médico me disse que apenas os anticorpos da hepatite B são detectáveis no laboratório. Quero saber se a informação do Banco de Sangue realmente é correta.

A informação do Banco de Sangue está correta, mas a informação de que apenas os anticorpos da hepatite B são detectáveis em laboratório está incorreta. Existem exames obrigatórios para detecção de anticorpos contra o vírus da hepatite C em doadores de sangue desde 1993.

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A cura espontânea nas hepatites é possível. O indivíduo deixa de ter o vírus, apesar de permanecer com anticorpos circulantes. Por outro lado, a persitência do vírus poderá ocorrer em pessoas aparentemente saudáveis e sem quaisquer sintomas. Um indivíduo portador crônico é potencial transmissor da infecção.


A atividade hemoterápica é regulamentada por resoluções da Vigilância Sanitária. Na legislação vigente, qualquer indivíduo que tenha tido contato com as hepatites B e/ou C, curado ou não, não poderá mais doar sangue.


Essa proibição baseia-se principalmente em dois argumentos:


1) Os exames para detecção dessas doenças buscam anticorpos que o doador infectado tem na circulação. Níveis baixos de anticorpos no doador, como no caso de infecções recentes, poderiam ocasionar resultados falso-negativos, permitindo que seu sangue infectado seja transfundido em um paciente, com risco de transmissão da doença. Apesar dos métodos atuais serem considerados de alta sensibilidade, não temos exames totalmente seguros. Qualquer dúvida que paire sobre a qualidade do sangue impede a doação.


2) A promiscuidade sexual e o uso de drogas endovenosas são maneiras de uma pessoa adquirir essas infecções. Quem tem comportamento de risco também está sujeito a outras infecções sérias como a sífilis e a aids. Portanto, não é difícil entender porque não se aceita como doador qualquer indivíduo que possa ter tido comportamentos de risco.

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Luis G. F. Turkowski, hematologista


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