Tire suas Dúvidas

Por que algumas crianças criam amigos imaginários?

31 dez 1969 às 21:33

Comumente os pais se assustam quando vêem seus filhos pequenos falando sozinhos ou descobrem que eles têm um amigo imaginário. Mas isso não sinaliza nenhum distúrbio ou loucura.

Na verdade, este é um recurso da criança comumente usado para resolver ou amenizar algum conflito ou impasse que ela está vivendo. Pode ser um evento específico e difícil de lidar, ou algo mais típico da idade. Ela cria este amigo que está sempre disponível para brincar, conversar ou brigar, conforme a necessidade. Isso aparece numa fase da vida em que a fantasia é muito mais valorizada e é o apreço que nós adultos temos pela realidade que nos dificulta tanto a compreensão de como a criança vive tão intensamente a fantasia. Ela normalmente sabe que o amigo não existe, mas ainda assim se relaciona com ele como se fosse de carne e osso.


Apesar de idades cronológicas não serem uma referência muito segura, os amigos imaginários costumam aparecer na primeira infância, entre os três e seis anos de idade. É esperado que desapareçam na pré-adolescência e, caso demorem a ir embora, a ajuda de um psicólogo ou psicanalista se faz importante.


É necessário lembrar que os pais devem ter tranquilidade ao se deparar com as fantasias dos filhos, pois elas fazem parte do desenvolvimento. No entanto, não é bom entrar na brincadeira do faz-de-conta sem ser convidado, sem sinalizar que aquilo é imaginário e, muito menos, usando da fantasia para barganhar algo com a criança em prol de sua suposta educação.


É melhor falar sempre com a criança e não se dirigir diretamente ao seu amigo imaginário, deixando assim sutilmente marcado que, apesar de ser respeitada, esta é uma invenção dela. Também cabe aos pais observar a brincadeira dos filhos e procurar ajuda de um profissional da saúde quando estes seres imaginários gerarem isolamento ou sofrimento nas crianças.

Bruno Mazetto, psicólogo


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