Estudos recentes com indivíduos saudáveis mostraram que o campo eletromagnético de um telefone celular é capaz de provocar discretas e transitórias mudanças em padrões neurofisiológicos como a excitabilidade cerebral e seu fluxo sanguíneo.
Além disso, algumas pessoas queixam-se de dor de cabeça quando usam o celular e pesquisas então foram desenvolvidas para avaliar se o uso realmente causa tal mal estar. Indivíduos com queixa de dor de cabeça ao usar o celular foram estudados, sendo que uma parte deles foi exposta a um aparelho normal e outro grupo a um aparelho que filtrava o campo eletromagnético, ou seja, um modelo experimental que pode ser chamado de placebo. Ambos os tipos de aparelho provocaram o mesmo nível de desconforto nos participantes. Segundo Ricardo Teixeira, Doutor em Neurologia pela Unicamp, a melhor explicação para a dor de cabeça associada ao uso de celular é o efeito nocebo.
A origem do termo placebo é o verbo placere do latim que significa agradarei. A simples expectativa positiva de que um tratamento pode nos fazer bem já é capaz de provocar mudanças fisiológicas em nosso corpo e esse é o chamado efeito placebo. E será que a expectativa negativa diante de alguma ação ou tratamento também é capaz de provocar mudanças fisiológicas e sintomas?
A visão pessimista de que alguma coisa pode nos fazer mal também pode provocar efeitos negativos que também têm seu nome: efeito nocebo, também do latim e significa prejudicarei. "Essa expectativa negativa é a provável explicação para alguns dos efeitos adversos de medicações e outras formas de tratamento. Apesar do efeito nocebo ser muito menos explorado em pesquisas científicas do que o placebo, especialmente por questões éticas, o corpo de evidências da sua existência em diferentes situações médicas não é pequena", afirma Teixeira.
Já foi demonstrado que o efeito nocebo é capaz de desencadear crises de asma, alergia cutânea, diversos tipos de dor, impotência sexual, disfunções intestinais, entre outros sintomas.