Bonde - O Maior Portal do Paraná
Quinta-feira, 20 de Novembro de 2014. | Bem-vindo usuário! Faça login ou cadastre-se.
29º / 17º Londrina - PR Outras Cidades Google Twitter Whatsapp - (43) 9124-1630 Facebook Youtube - Vídeos
Mulher
14/02/2009 -- 12:53

Mulheres encontram na dança flamenco uma boa terapia

Além de garantir condicionamento físico e trabalhar a memória, aulas de dança espanhola aumentam autoestima das praticantes

Mariana Guerrin / Folha de Londrina
QR:
Add to Flipboard Magazine.

Saias longas, xales coloridos, uma rosa no cabelo e, para completar, um sapato de bico redondo e salto quadrado que faz muito barulho ao tocar o tablado. De fundo música espanhola e, em frente ao grande espelho, um grupo de senhoras pronto para iniciar mais uma aula de flamenco.

Primeiro o alongamento: pescoço de girafa, como ensina a professora, mãos esticadas ao alto da cabeça e movimentos de sobe e desce para alongar a coluna. Em seguida, o aquecimento das mãos, peças importantes na composição da coreografia da dança espanhola: girando o punho de um lado e do outro, as alunas vão entrando no clima. Depois começam os primeiros passos, uma levantada de pé aqui, uma dobra de joelho ali e elas colocam o sapato para fazer barulho. Começa o espetáculo, que tem uma hora de duração.

Mais do que aprender a dançar, a aula de flamenco funciona como um escape para as mulheres que venceram a timidez - e muitas vezes a proibição do marido - e se puseram a bailar. Não é à toa que a professora Ana Paula Minari, formada em dança pela Unicamp e especialista em arte e educação pela UEL, batizou a aula de flamencoterapia.

''Para muitas, aprender o flamenco é um sonho de vida'', comenta Ana Paula, citando a origem espanhola e a vontade de fazer uma atividade física diferenciada como outros motivos para o sucesso das turmas de terceira idade. ''Não esperava tanta procura'', confessa a professora, que criou duas turmas matutinas e está prestes a abrir um terceiro grupo vespertino de aulas de flamenco para quem já passou dos 60.

Sucesso na Europa, a flamencoterapia trabalha, através dos movimentos da dança espanhola, o condicionamento físico, ''pois trabalha muito a região cardiovascular do corpo'' - como assinala Ana Paula - e também ajuda a corrigir problemas posturais.

''A atividade ainda trabalha a mémoria, que é estimulada quando elas conseguem gravar as sequências de passos, além da audição e motricidade. Aliada a todos esses elementos a flamencoterapia também tem ajudado, e muito, em casos de depressão porque eleva a autoestima dos praticantes'', garante a professora.

Em poucas aulas, Ana Paula já notou diferenças no comportamento das alunas. ''Elas estão mais felizes, se percebendo melhor e gostando mais de si mesmas.'' Para a professora, o principal desafio para as senhoras ainda é se propor a se mexer. ''Há uma inibição em fazer algo que as expõe. Mas elas estão saindo da casca do ovo'', brinca.

Leques e castanholas -

Após aprender a rimar as batidas do sapato no tablado e o movimento delicado das mãos à trilha musical, as alunas aprenderão a manusear acessórios característicos do flamenco, como castanholas, leques, xales e bastons, elementos que dão charme à dança.

''Como o público é diferenciado, o ritmo da aula é mais tranquilo. Elas são desafiadas, mas sempre respeitando seus limites'', descreve a professora, ressaltando que a procura pelo flamenco envolve também meninas a partir dos sete anos que buscam uma atividade física diferente da academia e do balé.

Atividade diferente e apaixonante

Para a professora aposentada Diomar Ribeiro Sanzobo, dançar é uma qualidade de família. Aos 59 anos, ela participa de suas primeiras aulas de flamenco depois de já ter feito sapateado e dança de salão por muitos anos. Com porte de bailarina, Diomar não nega que traz nos genes a paixão pelo rebolado.

''Meu pai me ensinou a dançar quando eu tinha oito anos porque minha mãe não gostava e ele precisava de um par. Desde então me apaixonei pelos ritmos e pela música, já que também toco um pouquinho. Se pudesse, faria todo tipo de dança'', confessa a aposentada, que também frequenta a academia há nove anos.

''Minha família é muito divertida, meu pai tocava acordeão e todos adoram dançar. Quando morava em Ibiporã eu e minha filha vinhamos para Londrina para estudar teclado e piano'', relembra Diomar, que já assistiu a apresentações de dança flamenca e guarda uma coleção de CDs com música espanhola em casa. ''Depois que minhas aulas de sapateado acabaram, a Ana Paula me laçou'', brinca.

Quem também se deixou enfeitiçar pela magia do flamenco foi a aposentada Wanda Claro de Oliveira. Aos 66 anos, ela já fez de tudo na vida antes de parar de trabalhar: de bancária a funcionária de loja de presentes. Mas foi na dança que encontrou um modo de se exercitar e manifestar a paixão pela vida que sempre deixou guardada no peito.

''Dança é algo de mulher. Imagina quanto não tivemos de lutar contra nossa própria inibição para ter coragem de fazer algo que desagrada nossos maridos. Marido quer ver mulher dentro de casa'', desabafa Wanda. Para ela, no entanto, o flamenco é uma dança que move as pessoas, principalmente os homens. ''Eles ficam tocados ao ver uma mulher dançar e como sempre gostei de dança, desde pequena, resolvi procurar uma atividade física que fosse diferente e apaixonante ao mesmo tempo.''
Abaixo, usuários do Facebook que comentaram outras notícias no Bonde
Plugin gerado com dados do Facebook com a App - Última atualização: 20/11/2014 17:50
PUBLICIDADE
Carregando ...
PUBLICIDADE
 
PUBLICIDADE