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Economia
20/03/2009 -- 08h00

Point do 'faça você mesmo' na marcenaria

Gisele Mendonça - Folha de Londrina
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Dorico da Silva
O dentista Joel Bueno tem a marcenaria como hobby e já produziu parte da mobília de sua casa: ‘‘Atividade alivia o estresse, é prazerosa e relaxante’’

Muito difundida nos Estados Unidos e em alguns países da Europa, a cultura do ''faça você mesmo'' ganha adeptos no Brasil. E a marcenaria é um desses setores. Ao invés de comprar pronto ou contratar mão-de-obra, por que não criar os próprios móveis? Pensando assim, muitos descobrem um hobby e ao mesmo tempo economizam, além de contribuírem para o aumento do número de lojas que vendem esses materiais e se adequam para atender o marceneiro amador.

''Um amigo me falou de um lugar onde era possível encontrar placas de MDF revestidas e que lá eles cortavam essas placas na medida para você. Me interessei, passei a ler sobre o sobre o assunto, pesquisar em sites e fui atrás'', conta o dentista e bioquímico Joel Godoi Bueno, que sempre admirou a marcenaria e hoje tem a atividade como um dos seus principais hobbies.

A primeira peça que criou foi uma mesinha de telefone. Depois vieram um rack, um armário, a mobília do seu consultório e todos os móveis dos quartos da filha e do filho. Bueno faz o projeto e elabora o plano de corte das placas de MDF dos móveis que vai construir. Uma loja especializada confere as medidas do plano no computador e executa os cortes.

''Com o material cortado, chego em casa e monto como se fosse um quebra-cabeça. Colo as fitas de borda, instalo dobradiças, corrediças, faço o acabamento. É um trabalho para fazer com atenção, devagar'', descreve.

Para trabalhar, Bueno usa uma furadeira, um perfilador, uma parafusadeira e uma serra tico-tico, além de outros itens básicos que tem em sua caixa de ferramentas. As ideias para criar os móveis são tiradas de revistas de decoração e das próprias lojas. ''Já cheguei a fotografar móveis para fazer igual'', conta.

No caso do quarto da filha, o dentista contou com a ajuda de uma decoradora apenas para desenhar a proposta. Além do prazer de criar, ele destaca a economia realizada. Bueno gastou R$ 1.250 para fazer a mobília, que custaria R$ 6.450 se fosse feita em loja. No quarto do filho, deixou de gastar R$ 5.800 para investir apenas R$ 1.430 nos materiais.

O marceneiro amador explica que só faz móveis com ''linhas quadradas'' porque é mais ''fácil e rápido''. O próximo projeto será produzir a mobília de um imóvel que está comprando na praia. Mas ele diz que não pensa em transformar o hobby em profissão. ''Já tem parentes e amigos pedindo para eu fazer para eles. Alguns brincam: 'e aí, como está o prazo de entrega?'. Mas é só hobby mesmo'', assegura.

O dentista diz que tem afinidade com a marcenaria porque o trabalho exige habilidade manual assim como a sua especialidade, a ortodontia. ''Ficava observando o trabalho dos marceneiros e admirava as coisas bonitas que eles faziam. Então pensei 'deixa eu brincar um pouco de fazer móvel''', diz. Para ele, a atividade ''alivia o estresse, é prazerosa e relaxante''.

Kit e manual de sobrevivência

Além das fer­ra­men­tas bá­si­cas, os equi­pa­men­tos ne­ces­sá­rios pa­ra ser­vi­ços de mon­ta­gem e re­pa­ro em ma­dei­ra são: fu­ra­dei­ra, ser­ra ti­co-ti­co, pa­ra­fu­sa­dei­ra, li­xa­dei­ra ma­nual e ser­ra cir­cu­lar. Es­co­lhen­do ­itens de boa qua­li­da­de, o con­su­mi­dor vai gas­tar, em mé­dia, de R$ 200 a R$ 250 em ca­da pro­du­to.

Pa­ra os ini­cian­tes, tam­bém é in­di­ca­do ad­qui­rir um bom kit de fer­ra­men­tas ma­nuais e aces­só­rios de mar­ce­na­ria, com­pos­to ba­si­ca­men­te por mar­te­lo, pre­go, pa­ra­fu­sos, co­la de ma­dei­ra e tre­na de me­di­ção.

Co­nhe­cer as fer­ra­men­tas e ­suas ca­rac­te­rís­ti­cas bá­si­cas é im­por­tan­te pa­ra ­quem de­se­ja se ini­ciar na prá­ti­ca do ‘‘fa­ça vo­cê ­mesmo’’.

Ao ­usar equi­pa­men­tos elé­tri­cos é im­por­tan­te to­mar al­guns cui­da­dos pa­ra ga­ran­tir a se­gu­ran­ça, co­mo ob­ser­var a vol­ta­gem cor­re­ta (110 ou 220V) an­tes de li­gar. É re­co­men­dá­vel o uso de ócu­los de pro­te­ção, evi­tan­do que pe­da­ços de ma­dei­ra pos­sam atin­gir os ­olhos du­ran­te ope­ra­ções de cor­te e li­xa­men­to. ­Além dis­so, to­da tro­ca de aces­só­rios de­ve ser fei­ta com a fer­ra­men­ta des­co­nec­ta­da da re­de de ener­gia elé­tri­ca.

Loja atende ‘novo consumidor’

Aten­tas a es­se no­vo ti­po de con­su­mi­dor, adep­to do ‘‘fa­ça vo­cê ­mesmo’’, al­gu­mas lo­jas es­tão se ade­quan­do pa­ra aten­dê-lo. ‘‘Aos sá­ba­dos, vo­cê só vê con­su­mi­dor de ber­mu­da e chi­ne­lo por ­aqui. É gen­te que apro­vei­ta o fi­nal de se­ma­na pa­ra con­ser­tar ou cons­truir os pró­pros ­móveis’’, afir­ma Fa­bia­no Mo­ya, ge­ren­te da lo­ja Com­plond, em Lon­dri­na, que ven­de ma­te­riais, fer­ra­men­tas e aces­só­rios pa­ra mar­ce­na­ria.

Se­gun­do o ge­ren­te, 95% da clien­te­la é for­ma­da por mar­ce­nei­ros pro­fis­sio­nais, mas o nú­me­ro de ama­do­res vem cres­cen­do. Pa­ra aten­der prin­ci­pal­men­te es­se pú­bli­co, a em­pre­sa dis­põe de má­qui­nas que cor­tam as cha­pas e que co­lam as fi­tas de bor­da (aca­ba­men­to).

‘‘O pes­soal ama­dor pro­cu­ra bas­tan­te a gen­te pa­ra fa­zer es­ses ser­vi­ços. O mar­ce­nei­ro pro­fis­sio­nal já pos­sui os ­equipamentos’’, diz o ge­ren­te. Ele in­for­ma que a ar­qui­te­ta da em­pre­sa po­de fa­zer o pro­je­to do mó­vel pa­ra o clien­te ou aju­dá-lo com ­ideias.

Fei­to o pro­je­to, é cria­do no com­pu­ta­dor o pla­no de cor­te. ‘‘Já sai tu­do de­fi­ni­do: o que vai ser usa­do, quan­tas cha­pas e ­quais os cor­tes, até quan­tos pa­ra­fu­sos, do­bra­di­ças e cor­re­di­ças se­rão ­necessários’’, ex­pli­ca. Con­for­me Mo­ya, o ma­te­rial ­mais uti­li­za­do ho­je pa­ra mó­veis é o MDF re­ves­ti­do, que já vem pron­to. ‘‘O ma­dei­ra­do, re­ves­ti­do com pa­pel que imi­ta ma­dei­ra, é a co­que­lu­che do mo­men­to. É bem prá­ti­co e eco­lo­gi­ca­men­te cor­re­to, ­pois no seu in­te­rior é uti­li­za­da so­men­te ma­dei­ra de ­reflorestamento’’, ob­ser­va.

Se­guin­do es­sa ten­dên­cia, es­tá a fór­mi­ca fei­ta com gar­ra­fa PET, que vem em di­ver­sas co­res e cus­ta R$ 12 o me­tro, bem me­nos do que a fór­mi­ca tra­di­cio­nal (mé­dia de R$ 60 o me­tro). ‘‘An­tes achá­va­mos que o seg­men­to da mar­ce­na­ria ia aca­bar por cau­sa da es­cas­sez dos re­cur­sos na­tu­rais. Mas a tec­no­lo­gia foi de­sen­vol­ven­do coi­sas ca­da vez ­mais bo­ni­tas e du­rá­veis, sem agre­dir o ­meio ­ambiente’’, ob­ser­va o ge­ren­te.

No se­tor de aces­só­rios tam­bém há mui­tas no­vi­da­des. En­tre ­elas, cor­re­di­ças de ga­ve­tas e do­bra­di­ças de por­tas com amor­te­ce­do­res.
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