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Economia
31/08/2009 -- 08h47

Brasil tem o calçado mais confortável

Gisele Mendonça/Equipe Folha
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Eduardo Anizelli/Equipe Folha
‘‘A in­dús­tria ou­viu nos­so ape­lo: che­ga de so­frer com sa­pa­tos ­desconfortáveis’’, co­me­mo­ra Fran­cis­ca Ven­tu­ra
Eduardo Anizelli/Equipe Folha
Tâ­nia Va­le­ra, co­mer­cian­te: ‘‘­Quem com­pra um cal­ça­do con­for­tá­vel não con­se­gue ­mais ­usar ­outro’’

O Brasil se destaca hoje no cenário internacional com a melhor engenharia de calçado. Para competir no mercado externo, o país investiu em pesquisa e tecnologia até descobrir a fórmula para oferecer ao consumidor o calçado mais confortável do mundo. Hoje, as principais marcas nacionais investem em linhas de calçados confortáveis para homens, mulheres e crianças.

''A Itália sempre foi conhecida pelos calçados bonitos, a China chegou com o preço mais competitivo, e o Brasil optou por investir no calçado mais confortável'', atesta o doutor em biomecânica Aluísio Ávila, diretor de inovação tecnológica do Instituto Brasileiro de Tecnologia do Couro, Calçado e Artefatos (Ibtec). Ele participou dos estudos - durante dez anos -, que resultaram na criação do Selo Conforto do calçado.

Criado há nove anos, o selo é concedido ao calçado que foi submetido a um conjunto de ensaios específicos e obteve um laudo de aprovação (leia mais nesta página). Por meio do selo, o consumidor tem a certeza de que está adquirindo um produto que atende aos padrões de conforto previstos em normas, além de ser informado de todas as suas características.

Isso agrega valor ao produto brasileiro que hoje cruza fronteiras. Terceiro maior produtor de calçados do mundo e quinto maior exportador, o Brasil possui mais de oito mil fábricas, segundo dados da Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados). A produção é de 800 milhões de pares ao ano. Em 2008, foram exportados 165 milhões de pares com faturamento de US$ 1,8 bilhão.

''Prova da nossa excelência é que mesmo com a derrubada do dólar conseguimos nos manter exportando'', diz Aluísio Ávila. Ele cita que poucos fabricantes dedicam-se exclusivamente ao calçado confortável, mas as principais marcas investem em linhas voltadas para este segmento.

O diretor do Ibtec defende que os calçados confortáveis protegem a saúde e a estrutura músculo-esquelética. '''É muito mais saudável caminhar com um calçado confortável do que descalço'', valoriza Ávila. Entre os requisitos mais importantes desses produtos estão a leveza e a boa distribuição da pressão plantada.

''Não pode ter picos de alta pressão, senão faz bolhas, machucados'', diz o biomecânico. O calçado também não pode induzir pronação (rotação interna do calcâneo na hora do impacto). ''Essa rotação não pode ser excessiva'', repara. Ele fala ainda da necessidade de redução do impacto.

O microclima do produto também é avaliado. ''Hoje queremos o pé seco dentro do calçado. Por isso, a tecnologia dos componentes está voltada para a transpiração, a absorção do suor. Isso faz com que também não haja mau cheiro'', observa.

O mercado atual, segundo Àvila, tem calçados que não deixam a água entrar, mas permitem que o suor saia. Os fabricantes usufruem de ''produtos inteligentes''. ''Existem membranas (materiais utilizados) que controlam a temperatura: ajudam a esquentar ou esfriar os pés, dependendo do clima'', esclarece.

Segundo o biomecânico, os calçados confortáveis ajudam as crianças a aprender a andar, a se equilibrar, a correr. No caso do público infantil, também já existe marca com 100% da produção voltada ao conforto.

Hoje, o consumidor pode chegar em uma loja e se informar sobre os produtos que tenham certificado de conforto. Entretanto, segundo Devanir Menezes, gerente da Mocassim Calçados, rede com seis lojas em Londrina, há várias marcas que trabalham com esta linha de produtos e não trazem necessariamente o selo na caixa.

''De uns cinco anos para cá muitos fabricantes aderiram à tendência. As pessoas que trabalham e querem conforto buscam esses sapatos. O mercado ainda tem muito para crescer'', diz. Quanto aos preços, o gerente afirma que alguns são mais caros que a média por serem totalmente feitos em couro.

Mo­de­los não lem­bram ­mais os da vo­vó

Há 11 ­anos no mer­ca­do, a mar­ca Usa­flex, do Rio Gran­de do Sul, in­ves­te 100% na fa­bri­ca­ção de cal­ça­dos con­for­tá­veis. Da pro­du­ção diá­ria de 18 mil pa­res, 3% vão pa­ra ex­por­ta­ção e a ­maior par­te aten­de o mer­ca­do in­ter­no dis­tri­buí­dos em 4 mil pon­tos de ven­da e 38 lo­jas fi­de­li­za­das (que ven­dem ape­nas pro­du­tos da mar­ca, mas não são fran­quias).

No iní­cio, os pro­du­tos ­eram vol­ta­dos pa­ra se­nho­ras com per­fil tra­di­cio­nal, mas com o cres­ci­men­to evi­den­te da li­nha ob­ser­vou-se que o con­for­to tam­bém agra­da­va as fi­lhas e ne­tas das con­su­mi­do­ras. A mar­ca pas­sou en­tão a agre­gar de­sign, be­le­za e ­itens de mo­da. O al­vo são mu­lhe­res com ro­ti­na agi­ta­da, que pas­sam boa par­te do dia tra­ba­lhan­do.

Se­gun­do o mo­de­lis­ta da mar­ca, Val­toir Fa­gun­des, ‘‘um cal­ça­do de con­for­to pre­ci­sa acom­pa­nhar os mo­vi­men­tos do pé, ao mes­mo tem­po que os man­têm fir­mes, evi­tan­do tor­ções e dis­tri­buin­do o pe­so cor­po­ral igual­men­te so­bre a plan­ta dos pés. Pal­mi­lhas e for­ros ma­cios tam­bém são ­fundamentais’’.
Os cal­ça­dos são tes­ta­dos pe­lo Ins­ti­tu­to Bra­si­lei­ro de Tec­no­lo­gia do Cou­ro, Cal­ça­do e Ar­te­fa­tos (Ib­tec). O ob­je­ti­vo é es­ta­bi­li­zar os tor­no­ze­los, fa­ci­li­tar o mo­vi­men­to dos pés, fa­vo­re­cer a cir­cu­la­ção san­guí­nea e aju­dar na pos­tu­ra.

‘‘Sen­ti­mos que as clien­tes são ­fiéis. ­Quem com­pra um sa­pa­to con­for­tá­vel não con­se­gue ­mais ­usar ­outro’’, diz a co­mer­cian­te Tâ­nia Re­gi­na Va­le­ra, que tra­ba­lha com a Usa­flex há 11 ­anos e há qua­tro me­ses ­abriu uma lo­ja fi­de­li­za­da em Lon­dri­na. Ela co­mer­cia­li­za cer­ca de 200 mo­de­los dis­tri­buí­dos en­tre as li­nhas bran­ca (vol­ta­da a pro­fis­sio­nais de saú­de), tra­di­cio­nal, es­por­te-fi­no, so­cial. A nu­me­ra­ção co­me­ça no 33 e os pre­ços vão de R$ 89 a R$ 145. O prin­ci­pal ma­te­rial uti­li­za­do é o cou­ro.

Além das ca­rac­te­rís­ti­cas de con­for­to, o di­fe­ren­cial é que os cal­ça­dos man­têm sem­pre o mes­mo mo­de­lo e, a ca­da co­le­ção, ga­nham ape­nas no­vas co­res e ­itens de mo­da. Há op­ções bai­xas até sal­tos (no má­xi­mo ­seis cen­tí­me­tros). ‘‘Aca­bou o pre­con­cei­to de que sa­pa­to con­for­tá­vel é aque­le da vo­vó, da ­tiazinha’’, diz Tâ­nia.

A em­pre­sá­ria Fran­cis­ca He­le­na Ma­ga­lhães Ven­tu­ra tor­nou-se adep­ta do con­for­to nos pés há ­três ­anos e diz que não con­se­gue ­usar ou­tro ti­po de sa­pa­to. ‘‘Eu vi­ra­va o pé com mui­ta fa­ci­li­da­de e le­va­va tom­bos ho­mé­ri­cos com as pla­ta­for­mas que gos­ta­va de ­usar. Foi aí que re­sol­vi in­ves­tir no con­for­to e na es­ta­bi­li­da­de ao ­caminhar’’, con­ta. ‘‘Os fa­bri­can­tes ou­vi­ram o ape­lo de nós mu­lhe­res e tam­bém vêm in­ves­tin­do na be­le­za, no de­sign. Che­ga de so­frer com sa­pa­tos aper­ta­dos e ­desconfortáveis’’.
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