Beirada nipônica - Edison  Yamazaki
07/05/2017 - 09:15
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Já escrevi sobre o tema algumas vezes, e hoje volto a repetir. A taxa de natalidade no Japão vem diminuindo há 36 anos e parece não haver muitas coisas à fazer para reverter os resultados.
O governo propaga planos para que os casais tenham mais filhos, incentivam com algumas medidas econômicas, mas parece que nada dá certo.
O impacto de não nascer muitas crianças já começa a atingir a economia, e não são poucas as empresas que estão deixando de expandir seus negócios por falta de mão de obra. Os problemas não são muito visíveis porque ninguém fica contando o número de moleques nas ruas, mas parece que a coisa é tão grave que uma projeção futura sobre o tema é uma das preocupações centrais do atual governo.
Ter filhos por aqui é realmente caro. E se for preciso encontrar um culpado por tudo isso, dou meu palpite dizendo que são os adultos que compõe a sociedade japonesa. São eles que determinam várias regras, e são eles também que aceitam serem explorados por escolas, cursos, e tudo o que envolve a educação da garotada.
As escolas são verdadeiras minas de dinheiro. Tanto as do governo como as particulares exploram como podem os pais (que são adultos), que como cordeiros concordam com tudo o que lhe são impostos. Numa escola particular de custo médio (10 mil dólares anuais), para participar da solenidade de recepção aos novos alunos, os pais precisam pagar a bagatela de aproximadamente 2 mil dólares. Isso para um evento que costuma durar entre duas e três horas. Uniformes, sempre obrigatórios das escolas do governo, chegam a custar mil dólares (calça, paletó, camisa, gravata e sapatos). Os de treinos esportivos é pago separadamente, e se o filho der o azar de escolher jogar beisebol, por exemplo, os pais terão que comprar todos os apetrechos relativos ao beisebol. Uma luva chega a custar 500 dólares. Algum adulto com filhos na escola reclama? Vai até a Secretaria de Educação ver se não pode mudar alguma coisa? Conversa com o diretor da escola para saber se não existe meios para diminuir esses custos?
Não, aqui ninugém reclama de nada, aceita tudo em silêncio, e pronto.
Cursos extracurriculares (inglês, natação, piano, etc.) são ainda mais caro, e de qualidade duvidosa. Mesmo assim, todos os adultos se esfolam de trabalhar para pagar as mensalidades.
Tudo isso, somado ao pouco interesse que meninos e meninas têm um pelo outro, contribui para criar uma sociedade que não valoriza os relacionamentos. É cada um olhando para o seu próprio celular.
Além de caras, as escolas também contribuem para que os japoneses sejam ruins nos relacionamentos. Fazem o que podem para não permitir que alunos e alunas fiquem conversando nos cantos das escolas. É o tal do clube dos bolinhas e das luluzinhas.
Crescendo num ambiente assim é até natural que eles e elas não aprendam a arte do relacionamento, da paquera, dos olhares.
Estimular que casais adultos se envolvam mais para que possam gerar filhos está sendo uma medida ineficaz, já que as coisas deveriam começar onde tudo é caro e vedado.
Parece que querer ter filhos ainda tem a ver com amor, envolvimento e cumplicidade. Virtudes que nem a escola pública e nem a particular estão interessadas em desenvolver. Nesta hora de que adianta ter o trem mais rápido ou a torre mais alta do planeta

Criança na chuva
09/04/2017 - 10:09
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Acho que este ano ainda não escrevi sobre o futebol japonês. Não é só a carga de trabalho que está atrapalhando, é também porque não há nada de muito interessante para mostrar.
Mas recentemente aconteceu uma coisa curiosa.
Kazuyoshi Miura começou sua carreira profissional no Brasil, passou pelas equipes do 15 de Jaú, Santos e Coritiba. No inicio da era profissional do futebol japonês, retornou ao arquipélago para jogar pelo Yomiuri Verdy, na época, o melhor da J.League.
Já chegou ídolo pela coragem de sair do país, se aventurar no futebol brasileiro e ainda marcar gols. Até hoje é muito considerado no meio futebolístico.
Atualmente ele joga no Yokohama Football Club, equipe da segunda divisão. Marcou um gol por esses dias que foi notícia em quase todo o mundo.
A razão da fama é porque ele marcou um gol aos 50 anos, sua idade hoje. Parece que bateu o recorde mundial que pertencia a um inglês.
A imprensa japonesa comemorou, os "especialistas" saíram dizendo sobre as qualidades técnicas do atacante e ressaltando que ele ainda vence alguns zagueiros bem mais jovens numa disputa de bola.
Eu já acho tudo isso uma vergonha para futebol profissional do Japão, porque mostra como algumas equipes estão mal preparadas e treinadas. Se isso não fosse verdade, não haveria gol de um veterano cinquentão como Kazu.
Nos centros mais avançados, onde o profissionalismo impera, onde vencer é muito importante, não existem atletas nessa faixa etária disputando partidas oficiais.
Esse gol, ao meu ver, só veio mostrar como o futebol ainda não "pegou" por aqui, devido a fragilidade técnica e tática das equipes.
Nenhum campeonato profissional sério tem atletas de 50 anos, ainda mais marcando gols.
A comemoração é válida porque Kazu vem mostrando que um "senhor" também pode correr, saltar e fazer gols, mas num jogo de compadres, de casados contra solteiros ou algo similar. Mostra também muita alegria na comemoração, e isso é muito importante num país que não sabe brincar, que leva tudo muito à sério.
O gol de Kazu merece ser noticiado mundo afora porque de certa maneira ele é um fenômeno, não só pela idade, mas pela vontade de continuar em campo, pela persistencia em treinar diariamente.
Espero também que os dirigentes tenham percebido o quão frágil anda o futebol, onde o maior ídolo do campeonato é um vetenaníssimo atleta. Onde estão os jovens que deveriam estar ocupando o lugar do King Kazu?

Gol de Kazu aos cinquenta anos
22/03/2017 - 09:46
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Pelo país, é notório que o número de turistas aumentou consideravelmente. São pessoas de diversos países: europeus, americanos, malasianos, indonesianos, nepaleses e vietinamitas, entre outros. Mas quem domina o ranking são os chineses, que movimentam grandes cifras no enorme mercado de produtos eletrônicos, e que em algumas cidades como Saga chegam a ser 90% dos visitantes estrangeiros. Por lá as lojas já possuem intérpretes e os avisos já são todos em chinês, porque ninguém quer perder a oportunidade de vender seus produtos.
Nos grandes centros, existem imobiliárias exclusivas para vender imóveis de alto padrão para os endinheirados de Pequim. Vários "shopping centers" estão com atendentes fluentes em mandarim, e com departamento de marketing voltados apenas para o país vizinho.
Tive a oportunidade de conviver por alguns meses com vários chineses, e fiquei impressionado com as idéias, vontade e disposição desse pessoal. Particularmente, tenho uma imagem bastante ruim da China, fruto dos noticiários escandalosos que vejo na TV e em órgãos da imprensa. Por isso, tinha também uma imagem não muito simpática do povo chinês.
Mas isso já é passado. Estando com eles diariamente, conhecendo melhor seus princípios, seus valores e principalmente o que querem da vida, mudei completamente meu conceito, ou melhor, meu pré-conceito com eles.
Hoje vejo um pessoal disposto, com lucidez e conhecedor da realidade que envolve o mundo e suas peculiaridades. São esclarecidos, responsáveis e com uma energia que há muito não percebia. Para mim, além de uma quebra de barreira, uma grande surpresa também.
Pensando alguns anos para frente, e do jeito que as coisas estão acontecendo, não duvido que os chineses venham a ter uma influencia enorme sobre o Japão, distribuindo sua população por várias partes do arquipélado. Pelo que ouço, parece que os chineses estão espalhados em todas as províncias japonesas, e muitos já começaram alguns negócios.
Algumas universidades já possuem classes exclusivas para atender aos chineses, enquanto as escolas de língua japonesa já não possuem vagas por vários meses.
Eles dominam os kanjis, e apesar de vários possuírem interpretações diferentes dos kanjis japoneses, a escrita é identica, e logo eles "descobrem" o que está escrito. Essa facilidade aliada a pouca diferença cultural, pode mudar o panorama econômico e até cultural do Japão.
Não será do dia para noite que tudo isso acontecerá, mas aos poucos, sem que ninguém perceba as mudanças estarão encaminhadas.
Apesar de ainda possuir graves problemas sociais principalmente no interior, mas a parte estudada e internacionalizada tende a dar uma salto bem grande para a melhora dessas mazelas.

Assista um pouco da China
19/02/2017 - 09:27
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Este ano, com o inverno rigososo e frio por toda parte, o Festival de Neve de Sapporo teve muitos visitantes.
A festa dura apenas uma semana e é de uma beleza ímpar.
Pensar que todas aquelas esculturas são realizadas manualmente por voluntários apenas para manter a tradição e atrair turistas para a cidade.
Este ano a escultura central foi uma réplica do Arco do Triunfo de Paris, acompanhada dos personagens "Star Wars", castelos e pokemons.
Os efeitos luminosos para "dar vida" às esculturas é um espetáculo diferente porque as luzes coloridas são projetas no gelo, o que dá um efeito que não vemos com frequência.
Sem dizer que muitas das obras primas possuem mais de dez metros, dando uma idéia do trabalho que deve dar para os escultores.
Sapporo fica em Kokkaido, extremo norte do país, e nessa época a temperatura fica em torno de dez graus negativos. O frio é intenso, mas vale a pena participar da festa.
A praça de alimentação oferece pratos típicos com um ensopado de lagostas e saladas com camarões e ostras. O famoso lámen também aparece, só que com sabores difertentes do resto do país.
Este ano a festa foi a melhor dos úlitmos anos.

Festival de Neve de Sapporo




















Sapporo fica em Kokkaido, extremo norte do país, e nessa época a temperatura fica em torno de dez graus negativos. O frio é intenso, mas vale a pena participar da festa.
A praça de alimentação oferece pratos típicos com um ensopado de lagostas e saladas com camarões e ostras. O famoso lámen também aparece, só que com sabores difertentes do resto do país.
Este ano a festa foi a melhor dos úlitmos anos.
05/02/2017 - 10:47
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Janeiro já foi, e pude observar/sentir algumas mudanças por aqui.
Neste começo de ano sinto as pessoas mais interessadas no que acontece ao redor do mundo. O povo japonês, de uma maneira geral, é um pouco alienado em relação ao exterior. Não ligam muito se houve um ataque terrorista, um grave acidente aéreo ou quem foram os ganhadores do Oscar. Levam suas vidinhas sem muito se incomodarem com o "resto".
Agora, parece que estão mais antenados, e é nítido a preocupação dos pais em colocarem os filhos para aprenderem outro idioma, em enviá-los para outro país. Perceberam, tardiamente é verdade, que a internacionalização é um fato e começaram a investir nisso.
A grade de programação nas TVs também mudou. Antes, programas humorísticos e de variedades. Hoje, discussões sobre a economia mundial e matérias internacionais dominam e estão em alta.
Os currículos escolares também começam a mudar. Em algumas escolas, inclusive públicas, estão permitindo que os alunos escolham o que querem estudar. Não abrem mão das matérias básicas (matemática, gramática, etc), mas já aceitam que nem todos são iguais.
De um modo geral as pessoas também estão mais leves. Percebo mais solidariedade, menos hierarquia.
Logicamente que tudo isso é apenas uma percepção, e posso estar redondamente errado, ou quem sabe, quem mudou fui eu.
Todo começo de ano eu faço um esforço danado para "sentir" como poderá ser a vida daqui para frente. Observo tudo o que posso, faço um análise lá dentro e me preparo para o restante do ano.
Acho que as perspectivas são boas porque se o mundo não mudou tanto assim como penso, pelo menos eu mudei, e isso é um progresso e tanto. Mudar não é fácil em nenhum sentido.
Não penso em desastres, coisas ruins.
Ao meu redor, na esfera social que frequento, vejo qualidades nas situações. Quem sabe é aquela velha esperança de dias melhores.
Tenho otimismo em relação ao futuro, vendo o que ví, e perecebendo o que percebí.
Adoro sonhos.

Kokoro
Edison Yamazaki
 
Paulistano, preferiu contribuir com o esporte desistindo de ser atleta para estudar Educação Física. Foi da convivência com os seus alunos que ele entendeu que toda emoção que viveu dentro das quadras, dos campos, das pistas e das piscinas é muito mais abrangente do que somente vencer ou perder. Descobriu que as relações humanas e as amizades são tão importantes quanto à saúde e o bem estar. Com isso na cabeça foi para o outro lado mundo e hoje vive em Kyoto.



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