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22/11/2017 - 00:31
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Martin Scorsese é simplesmente um dos maiores cineastas do mundo em todos os tempos. Muitos o conhecem mais por seus filmes que abordam a máfia ou o crime organizado. Poucos sabem ser ele um profundo conhecedor da História do Cinema e também amante do rock e excepcional documentarista da obra de seus roqueiros favoritos. Em 2011 ele dirigiu um belo, tocante e envolvente filme sobre o mais tímido dos Beatles. George Harrison: Living in the Material World faz uso de farto material inédito cedido pela viúva e pelo filho do compositor de Something e While My Guitar Gently Weeps. Scorsese "mergulha" na singular figura de Harrison e nos mostra, além do lado musical, o lado cinéfilo produtor de filmes e, principalmente, o lado espiritual. Rico em depoimentos e revelações que farão a alegria de qualquer fã de música. Em especial, os beatlemaníacos. Não se deixe impressionar pela longa duração. São pouco mais de três horas e meia que passam voando.

GEORGE HARRISON: LIVING IN THE MATERIAL WORLD (EUA 2011). Direção: Martin Scorsese. Documentário. Duração: 208 minutos. Distribuição: Netflix.
21/11/2017 - 00:46
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A cineasta mineira Petra Costa tem um olhar realmente especial. Em 2012, ano de lançamento de Elena, seu filme de estreia, ela nos surpreendeu pela força, beleza e coragem de uma obra bastante íntima e pessoal compartilhada com o público. Este olhar especial se faz presente outra vez em seu segundo trabalho, Olmo e a Gaivota, escrito e dirigido em parceria com a dinamarquesa Lea Glob. Neste documentário, ou talvez "docudrama" seja mais adequado, somos apresentados à Olivia (Olivia Corsini) e Serge (Serge Nicolai), atores que estão ensaiando uma montagem da peça A Gaivota, de Anton Tchekov. A rotina dos ensaios, e da vida do casal, muda por completo quando Olivia descobre estar grávida. Petra e Lea acompanham então as gradativas transformações no corpo e na alma de Olivia, bem como na relação entre ela e Serge. Com sensibilidade e sutileza, mas também de maneira ousada e algumas vezes transgressora em termos narrativos, o filme acompanha os atores que interpretam personagens e são reflexos de si mesmos. Dúvidas, medos, angústias e depressão passam a fazer parte dos dias de Olivia. O profissional, o público e o privado se misturam por inteiro aqui. Olmo e a Gaivota apenas confirma o talento de suas realizadoras. Em especial, a inquietação criativa de Petra Costa.

OLMO E A GAIVOTA (Olmo and the Seagull - Dinamarca/Brasil França/Portugal/Suécia 2015). Direção: Petra Costa e Lea Glob. Elenco: Olivia Corsini, Serge Nicolai, Arman Saribekyan, Sylvain Jailloux e Philippe Duquesne. Duração: 82 minutos. Distribuição: Pandora Filmes.
20/11/2017 - 00:28
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As personagens dos filmes do roteirista e diretor nova-iorquino Noah Baumbach costumam falar bastante. Mas não pense que isso faz de seus filmes algo chato ou cansativo. Muito pelo contrário. As palavras, ou melhor, as conversas movem a ação. Os Meyerowitz: Família Não Se Escolhe é mais um bom exemplo do estilo deste cineasta de obra tão pessoal e singular. Tudo se passa em Nova York e gira em torno de Harold Meyerowitz (Dustin Hoffman), patriarca da família e pai de três filhos: Danny (Adam Sandler), Jean (Elizabeth Marvel) e Matthew (Ben Stiller). Harold não é uma pessoa fácil. Escultor e professor aposentado, ele é cheio de manias e vontades e uma internação inesperada provoca a união dos filhos, bem como o confronto com algumas questões do passado. Excelente diretor de atores, Baumbach extrai desempenhos expressivos de todo o elenco. E se você é daqueles que só respeita Adam Sandler por Embriagado de Amor, sinto dizer que depois de assistir a este filme você o respeitará outra vez.

OS MEYEROWITZ: FAMÍLIA NÃO SE ESCOLHE (The Meyerowitz: New and Selected - EUA 2017). Direção: Noah Baumbach. Elenco: Adam Sandler, Ben Stiller, Elizabeth Marvel, Dustin Hoffman, Emma Thompson, Grace Van Patten, Adam Driver, Judd Hirsch, Rebecca Miller e Candice Bergen. Duração: 113 minutos. Distribuição: Netflix.
19/11/2017 - 06:32
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Durante quase 20 anos, a trinca formada pelo diretor James Ivory junto com o produtor Ismail Merchant e a roteirista Ruth Prawer Jhabvala, foi responsável pela realização de belos filmes de época baseados em obras literárias. Um dos mais populares desse trio é Uma Janela Para o Amor, de 1985, adaptado do livro de E.M. Foster. A história se passa no início do século XX e nos apresenta Lucy Honeychurch (Helena Bonham Carter, em sua estreia no cinema). Ela é uma jovem e rica inglesa em sua primeira viagem à Florença, na Itália. Ao lado de sua prima Charlotte Bartlett (Maggie Smith), as duas se hospedam em uma pensão e lá conhecem o advogado Emerson (Denholm Elliott), que está com seu filho George (Julian Sands). Nasce então uma forte atração entre Lucy e George e, ao voltar à Inglaterra, se estabelece um triângulo amoroso com a entrada em cena de Cecil Vyse (Daniel Day-Lewis, em início de carreira). Uma Janela Para o Amor é belo, leve, divertido e romântico. Trata-se daquele tipo de filme que provoca um sorriso bobo e nos faz sonhar acordado, seja por conta das bonitas locações que despertam o desejo de viajar ou simplesmente por retratar um mundo bem diferente do nosso. O que justifica, e com razão, os três prêmios Oscar que recebeu: figurino, direção de arte e roteiro adaptado.

UMA JANELA PARA O AMOR (A Room With the View - Inglaterra 1985). Direção: James Ivory. Elenco: Helena Bonham Carter, Daniel Day-Lewis, Maggie Smith, Denholm Elliott, Julian Sands, Simon Callow, Judi Dench e Rupert Graves. Duração: 117 minutos. Distribuição: Versátil/Netflix.
18/11/2017 - 06:36
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O cineasta chileno radicado na Espanha Alejandro Amenábar vinha de dois grandes sucessos, Os Outros e Mar Adentro, quando realizou seu projeto mais ambicioso: Alexandria. Com roteiro dele próprio, junto com Mateo Gil, o filme se passa no ano de 391, na cidade egípcia do título e conta a história de uma mulher pioneira, Hipátia (Rachel Weisz), que era professora de astronomia e matemática, e também filósofa. Bastante avançada para seu tempo, ela ainda é alvo da paixão de dois homens: Davus (Max Minghella), um de seus alunos; e Orestes (Oscar Isaac), um escravo. A rotina de Hipátia e de seus pretendentes muda completamente quando o Cristianismo ganha poder político na cidade, que está sob domínio romano. O fundamentalismo religioso propõe a extinção da famosa biblioteca local, além de outras instituições. Cabe a ela lutar contra o retrocesso que se avizinha. Amenábar tinha consciência do terreno minado que estava pisando. Alexandria, apesar de contar um história que aconteceu 17 séculos atrás, continua bastante atual. São inúmeros os casos relatados nos telejornais envolvendo intolerância religiosa e preconceito contra mulheres. É provável que isso explique o pouco interesse do público em relação ao filme quando de seu lançamento. Muita gente não gosta de se ver na tela. Questões de cultura e religião à parte, Alexandria é um filmaço e ponto final. Nem que seja apenas por ter resgatado o nome dessa grande mulher que foi Hipátia.

ALEXANDRIA (Agora - Espanha 2009). Direção: Alejandro Amenábar. Elenco: Rachel Weisz, Max Minghella, Oscar Isaac, Ashraf Barhom, Rupert Evans, Michael Lonsdale, Homayoun Ershadi e Sammy Samir. Duração: 126 minutos. Distribuição: Flashstar.
Marden Machado
 
Escrevo, todos os dias, sobre um filme, complementando minha participação nos programas Light News (na rádio Transamérica Light FM - 95,1), na rádio CBN Curitiba (90,1 FM), no programa Caldo de Cultura (UFPR TV - canais 15 da NET, 71 da TVA ou via web no http://www.tv.ufpr.br/), e no canal http://www.youtube.com/cinemarden.



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