Cinemarden - Marden Machado
24/05/2017 - 02:41
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Diversas gerações ao longo do século XX cresceram lendo as histórias criadas pelo escritor francês Jules Verne. Muitas delas foram adaptadas para o cinema, o que ampliou ainda mais o fascínio e o encantamento despertados por essas narrativas fantásticas. Dentre elas, uma das mais populares é 20.000 Léguas Submarinas, que os estúdios Disney transformaram em filme em 1954. Com roteiro de Earl Felton e direção de Richard Fleischer, trata-se de uma aventura escapista da melhor qualidade. A começar pelo elenco, tem que à frente nomes como Kirk Douglas, James Mason e Peter Lorre. A ação se passa na segunda metade do século XIX. Relatos apontam a existência de um monstro marinho. O governo americano designa um grupo para investigar. A expedição termina sendo atacada e é salva pelo Capitão Nemo (Mason), do submarino Nautilus. 20.000 Léguas Submarinas é aquele típico "clássico da sessão da tarde". Pode até não causar mais impacto aos mais jovens, no entanto, quem tiver mais de 40 anos, certamente verá despertar em si uma sensação nostálgica de uma época onde as coisas eram bem mais simples e inocentes.

20.000 LÉGUAS SUBMARINAS (20,000 Leagues Under the Sea - EUA 1954). Direção: Richard Fleischer. Elenco: Kirk Douglas, James Mason, Paul Lukas, Peter Lorre, Robert J. Wilke e Charles Grodin. Duração: 127 minutos. Distribuição: Classicline.
23/05/2017 - 05:10
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O cineasta dinamarquês Nicolas Winding Refn é um esteta por natureza. Basta verificar sua filmografia para constatar isso. Seus filmes são visualmente lindos, bem enquadrados e com suaves movimentos de câmera. Sem esquecer dos cenários minimalistas e das cores marcantes de seus figurinos. Não é diferente em Demônio de Neon, que dirigiu em 2016. O roteiro, escrito por ele próprio, junto com Mary Laws e Polly Stenham, conta a história de Jesse (Elle Fanning), uma garota de 18 anos recém-chegada à Los Angeles atrás do sonho de se tornar uma modelo profissional. Jesse possui uma beleza ímpar e rapidamente é contratada por uma agência, que fica impressionada com uma série de fotos mórbidas que ela fez. Quando Demônio de Neon foi exibido pela primeira vez no Festival de Cannes, o filme dividiu opiniões. Muitos chegaram a taxá-lo de ter "muita cobertura para pouco recheio". Refn está acima disso. Ele discute aqui, em essência, o belo. Aquilo que nos encanta, fascina e faz sonhar. Pode até parecer um discurso vazio em alguns momentos. Porém, talvez seja essa mesma a intenção do diretor. Se fazer passar por "vazio" para debater o "vazio" de uma sociedade que se preocupa mais com o "ter" do que com o "ser".

DEMÔNIO DE NEON (The Neon Demon - Dinamarca/França/EUA 2016). Direção: Nicolas Winding Refn. Elenco: Elle Fanning, Jena Malone, Karl Glusman, Desmond Harrington, Christina Hendricks e Keanu Reeves. Duração: 118 minutos. Distribuição: Califórnia Filmes.
22/05/2017 - 00:55
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Existem cineastas inquietos que procuram não ficar presos a um único tipo de filme ou maneira de contar histórias. O diretor americano Gus Van Sant faz parte desse grupo. Em mais de três décadas de carreira, ele se estabeleceu com um criador inspirado e dono de uma filmografia das mais ricas e autorais do cinema mundial. E sempre procurou não se acomodar, principalmente, quando algum filme seu faz muito sucesso. Essa inquietude criativa se faz perceber em O Mar de Árvores, que ele dirigiu em 2016, a partir do roteiro escrito por Chris Sparling. Boa parte da ação acontece na floresta Aokigahara, no Japão, que fica aos pés do Monte Fuji. O lugar é famoso por registrar um alto número de suicídios. Para lá se dirigem Arthur (Matthew McConaughey) e Takumi (Ken Watanabe). A intenção inicial é fazer jus à fama da floresta. Porém, acontece algo bem diferente. O Mar de Árvores, em muitos momentos, parece mais um filme de Terrence Malick do que de Gus Van Sant. Isso, pelo contrário, não é demérito algum. Apenas comprova, mais uma vez, a faceta inquieta, ousada e provocadora de Van Sant. Um artista que procura sempre escapar das amarras impostas pelas convenções. Sejam elas da indústria ou do próprio público.

O MAR DE ÁRVORES (Sea of Trees - EUA 2016). Direção: Gus Van Sant. Elenco: Matthew McConaughey, Naomi Watts, Ken Watanabe, James Saito, Ryoko Seta e Joe Girard. Duração: 110 minutos. Distribuição: Sony.
21/05/2017 - 00:53
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O nome do chileno Alejandro Jodorowsky é mítico para os fãs de cinema. Em especial, os de ficção-científica que ainda hoje sonham com a versão que ele queria fazer do livro Duna, de Frank Herbert. Essa expectativa existe desde a década de 1970, principalmente após do lançamento de A Montanha Sagrada, que ele realizou em 1973. O verbo "realizar" se aplica muito bem aqui. Quase tudo no filme foi feito por Jodorowsky: roteiro, produção, trilha sonora, figurinos, cenários, sem contar que ele é um atores em cena, no caso, o papel do alquimista que guia um Ladrão (Horacio Salinas) e outras sete pessoas em direção ao local que dá título ao filme, onde eles ocuparão o lugar dos deuses que dominam o mundo. Jodorowsky sempre teve em sua carreira uma "queda" pelo surreal e A Montanha Sagrada, seguramente, deve ter deixado Salvador Dali orgulhoso. Ousada, criativa, provocadora e experimental ao extremo, esta obra não segue a cartilha hollywoodiana para filmes similares. Até porque, não existem filmes que possam ser comparados a este. O que torna a experiência de vê-lo, um acontecimento único e intrigante.

A MONTANHA SAGRADA (La Montaña Sagrada - México/EUA 1973). Direção: Alejandro Jodorowsky. Elenco: Alejandro Jodorowsky, Horacio Salinas, Zamira Saunders, Juan Ferrara, Valerie Jodorowsky e Adriana Page. Duração: 114 minutos. Distribuição: Obras-Primas do Cinema.
20/05/2017 - 00:51
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Apesar de ter nascido nos Estados Unidos, muitos acreditam que o cineasta Whit Stillman seja europeu. O que faz todo o sentido. Afinal, seu segundo filme, Barcelona, de 1994, foi feito na Espanha e ele reside na França desde o final dos anos 1990. Com seu mais recente trabalho, Amor e Amizade, adaptado por ele do romance Lady Susan, de Jane Austen, todos terão certeza que ele é na verdade britânico. A história se passa na Inglaterra vitoriana e começa nos apresentando Susan Vernon (Kate Beckinsale), uma mulher linda, inteligente, viúva e completamente falida. Ela tem uma filha, Frederica (Morfydd Clark), já na idade de se casar. E, claro, a intenção é casá-la com um marido rico capaz de prover financeiramente a vida da jovem e, se possível, arranjar ela própria um casamento tão vantajoso quanto. As intrigas e os diálogos inspirados, típicos das tramas concebidas por Jane Austen são saborosamente mantidos nesta adaptação de Stillman. Amor e Amizade utiliza recursos narrativos bem criativos. Isso dá um dinamismo ímpar às muitas idas e vindas de Susan por diferentes casas situadas em Londres e seus arredores.

AMOR E AMIZADE (Love and Friendship - Inglaterra 2016). Direção: Whit Stillman. Elenco: Kate Beckinsale, Chlöe Sevigny, Xavier Samuel, Jenn Murray, Tom Bennett, Morfydd Clark, Emma Greenwell, Justin Edwards e Stephen Fry. Duração: 93 minutos. Distribuição: Califórnia Filmes.
Marden Machado
 
Escrevo, todos os dias, sobre um filme, complementando minha participação nos programas Light News (na rádio Transamérica Light FM - 95,1), na rádio CBN Curitiba (90,1 FM), no programa Caldo de Cultura (UFPR TV - canais 15 da NET, 71 da TVA ou via web no http://www.tv.ufpr.br/), e no canal http://www.youtube.com/cinemarden.



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