Segunda-feira, 26 de Junho de 2017
20/04/2017 14:46
Campanhas e prenvenção

Entre os dez países com maior número de fumantes, o Brasil teve a maior redução de tabagismo diário

Em pelo menos uma lista o Brasil figura ao lado de nações como Austrália, China, Dinamarca, Islândia, Holanda, Nova Zelândia, Noruega, Suécia, Suíça e Estados Unidos. São países que registraram taxa de declínio significativa do consumo de tabaco nas últimas duas décadas. E mais. Entre os dez países com maior número de fumantes, o Brasil registrou a maior redução de tabagismo diário tanto em homens (29% para 12%), quanto em mulheres (19% para 8%). A mais abrangente pesquisa já feita sobre tabagismo no mundo, que acaba de ser publicada pela revista científica "The Lancet", analisou 195 países no período de 1990 a 2015 e foi financiada por Bill & Melinda Gates Foundation and Bloomberg Philanthropies.

Entre as estratégias bem-sucedidas apontadas pelo estudo em todo o mundo estão: aumento da tributação, proibição de fumar em locais públicos, restrições à comercialização, promoção e propaganda de cigarros e comunicação eficiente. Aqui vale uma viagem ao tempo para lembrar do Brasil antes da década de 90 onde o cigarro era associado ao sucesso em propagandas televisivas, onde podia-se fumar em restaurantes, repartições públicas e até mesmo em aviões. Foi uma árdua batalha enfrentar a poderosa indústria do cigarro e impor limites e novas regras.

Somente no final dos anos 90, quando José Serra foi ministro da Saúde, o antitabagismo tornou-se uma bandeira de saúde pública do governo federal. Fumar foi proibido em todos os recintos coletivos, privados ou públicos. A propaganda em rádio, televisão e outras mídias foi banida. Eventos culturais e esportivos foram proibidos de receber patrocínio da indústria do tabaco. Os maços de cigarro passaram a obrigatoriamente conter advertências e imagens de impacto sobre as consequências trágicas do tabagismo como câncer, impotência, diabetes entre outras doenças. Além de intervenções fiscais que incluíram aumento de impostos e estabelecimento de preços mínimos para os produtos do tabaco.


Os resultados dessa acertada política que incluiu uma forte comunicação de interesse público são motivo de orgulho para o Brasil, mas a luta contra o cigarro está longe do fim. Só em 2015, 11,5% das mortes no mundo foram atribuídas ao tabagismo. Ele também foi responsável pelo segundo maior fator de risco de morte precoce e incapacidade. A cada ano são cinco milhões de mortos no mundo todo e bilhões de dólares gastos em saúde pública.

Na busca de consumidores, a indústria do tabaco vem perseguindo novos mercados e países como o Congo, Azerbaijão, Kuwait e Timor-Leste registraram aumento de fumantes. O mesmo aconteceu na população feminina da Rússia. Embora o mundo tenha assistido a uma queda proporcional do número de fumantes entre homens e mulheres nas últimas duas décadas, um dado chama atenção da pesquisa: a queda foi mais acentuada entre 1990 e 2005 do que entre 2005 e 2015. O estudo não deixa dúvidas de que o controle do tabagismo é possível, mas exige compromisso político global e de cada país além do que já foi feito nesses 25 anos.
Redação Bonde com Assessoria de Imprensa
comentários
Abaixo, usuários do Facebook que interagiram com as notícias no Bonde
Plugin gerado com dados do Facebook com a App - Última atualização: 26/06/2017 19:15
Continue lendo
Veja mais e a capa do canal
Hospedado pela: