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Adeus, Velhaco!

11 ago 2009 às 19:29
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"Viva! Viva!"
Essa expressão, marca registrada de João Milanez, o "patrão", como era chamado, carinhosamente, pelos funcionários, se calou para sempre, na redação da Folha. No último sábado, 8 de agosto, a luta de Milanez contra um câncer no rim e outras complicações, chegou ao fim. Faleceu aos 85 anos um dos grandes ícones de Londrina.
Irreverente, despojado, engraçado, exímio quebrador de protocolos, contador de histórias... Assim era conhecido o carpinteiro e marceneiro que saiu, ainda jovem, de Santa Catarina, veio parar em Londrina e construiu o que é hoje, reconhecidamente, um dos mais respeitados jornais do país, a Folha de Londrina. Conheceu reis e presidentes, viajou o mundo, conquistou amigos. Além da Folha, João Milanez ajudou a Londrina crescer. Sua história se confunde com a história da cidade. Apoiou a criação a UEL, IAPAR, Sociedade Rural do Paraná. Entre tantas outras vitórias de Londrina, lá estava João Milanez. Um empresário de visão e muito à frente do seu tempo.
Mas só quem conviveu com ele pode descrever o homem por trás do empresário e ir muito além da irreverência. Tive a experiência de trabalhar, diretamente, com o patrão, por dois anos, o assessorando. No início cheguei a pensar que fosse a maior "roubada" da minha vida. Afinal de contas era o presidente de um grupo de comunicação. Na época, o Grupo Folha de Londrina era formado além da Folha de Londrina, pelas rádios Folha FM, Cruzeiro AM e Cruzeiro FM, que depois veio a se tornar a Rádio Igapó FM, a agência de turismo Terramarear e participação na TV Tarobá. Eu não tinha nenhuma experiência neste tipo de trabalho de comunicação, muito menos com executivos. Mas "seo" João não era o executivo que estamos acostumados a ver na TV. Seu jeito de tratar os funcionários, das faxineiras aos diretores, não havia distinção para ele; seu trato com os clientes, sua condução nos negócios e, sobretudo, sua história, foram me conquistando. Não houve um dia em que João Milanez chegasse na empresa e não tenha cumprimentado a todos, de mesa em mesa, de ilha em ilha, jornalista por jornalista. Graças à sua influência descobri que queria, mais que qualquer coisa, me tornar um jornalista.
Me lembro de uma conversa em que, entre uma risada e outra, parou sério e me disse: "você, vereador, que ainda é novo, tem que buscar o que te preencha... Preencha a vida e a carteira!". Riu novamente e continuou: "mulher nenhuma quer saber de homem frustrado na vida e duro, quebrado, sem dinheiro, não é verdade, seu ‘velhaco desgracildo’!?!!". Típico!! Ri muito do jeito dele, nessas palavras, mas sai da sua sala pensando em tudo aquilo e decidido a buscar o que de fato serviria para minha vida.
A vivência com as coisas do jornal, me mostraram o que queria fazer da minha vida. Me sinto privilegiado por ter trabalhado na diretoria da empresa e ter tido aquela conversa com ele. Lá, tive a oportunidade de saber como as coisas funcionavam numa empresa de comunicação; do princípio ao fim. Do comercial ao financeiro; da sugestão de pauta à impressão e distribuição do jornal. Isso foi precioso pra mim, por que fui me apaixonando pelo jornalismo como um todo e tive a certeza do que preencheria pelo menos a minha vida (a carteira ainda demora um pouco!rs). E assim foi. No decorrer desses dois anos o jornalismo foi entrando corrente sanguinea à dentro e não teve mais jeito.
Foi ele quem me fez ver uma coisa que digo sempre quando falo da minha profissão: conhecer a história, os acontecimentos é muito importante, mas estar lá, participar da história, ser testemunha dos fatos é algo indescritível, sem preço.
A Irmã Elvira Maria, do Colégio Mãe de Deus, disse uma coisa que faz muito sentido: "João Milanez foi o pai da imprensa!". Ela tem toda razão. Todos nós aprendemos muito com ele e com seu jeito de fazer jornalismo. De uma forma ou de outra, nem que tenha sido em um pequeno trabalho da faculdade, João Milanez passou pela vida dos jornalistas de Londrina e do Paraná. Na minha vida foi assim que ele passou e deixou sua marca.
A vida nos faz surpresas, o mundo dá voltas, isso é fato. Só não imaginava que anos mais tarde, voltando para a Folha como jornalista, me veria fotografando e "fechando" a edição que trazia a cobertura da sua morte e seu sepultamento. Doeu a alma!
Ao meu amigo João Rodrigo, desejo que Deus o conforte, te dê paz e a certeza que o seu pai está lá, junto Dele, fazendo a farra de sempre, cutucando os anjos, chamando os santos de "vereador", "deputado", fazendo aquele "meio de campo" que só ele sabia fazer!!
Descanse em Paz, Patrão!!

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