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A visão de um brasileiro de olhos puxados

01 abr 2012 às 09:24

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Devido as minhas funções profissionais eu preciso estar sempre atualizado, principalmente com o que ocorre dentro dos esportes. Quando menos se espera surge uma conversa sobre natação, judô ou atletismo e pronto, preciso estar preparado. Por essa razão é que vasculho diariamente vários blogs, jornais e portais para me abastecer de informações. Tudo o que for ligado ao meu trabalho importa, mesmo que seja uma simples linha sobre futebol até uma tese de mestrado. Os blogs são os meus preferidos porque lá está, além da matéria em si, a opinião do "especialista". Como a maioria permite um comentário, às vezes deixo algumas palavras, nem sempre concordando com o professor.
Não sei se essa onda é recente aí no Brasil, mas tenho visto surgirem vários jovens voluntariosos cheios de saber e energia, verdadeiros conhecedores do mundo esportivo. Analistas de mãos cheias, que acompanham tudo desde as Olimpíadas de Atenas em 2004, porque antes disso ainda estavam no colégio procurando as suas aptidões.
Já escrevi anteriormente, que percebi também, que o brasileiro havia perdido a alegria e pelo que deu para notar deve ser por causa das dificuldades cotidianas relacionadas às expectativas. Expectativas de melhora profissional, de um envolvimento emocional mais profundo, do medo de morrer ou ser assaltado, de chegar ao estacionamento e não encontrar mais o carro porque foi roubado, do salário de miséria. Sei lá... só sei que aquela alegria que conheci tempos atrás já não existe mais. No seu lugar estão um pouco de amargura e rancor.
Recentemente postei um comentário num desses blogs e dono só faltou me bater. Atacou-me por todos os lados, falando sobre pensamentos retrógrados, atitudes conservadoras e utilizou até adjetivos que uma boa mãe não ensinaria aos seus filhos. Achei tudo maravilhosamente divertido, porque é assim que devem ser as trocas de impressões. Mas o rapaz do lado de lá estava tão bravo que apagou todos os comentários, os meus e dos outros. Mas antes vou confessar uma coisa. Eram apenas três opiniões. Dois puxando o saco e o meu contra. Aí, fiquei pensando... já pensou se um desses vira Presidente da República?
Tomara que eu esteja redondamente errado, mas acho que quem regrediu foram o Brasil e os brasileiros. Depois que acharam graça de alunos saírem no braço com professores, de tentarem "colar" no vestibular, de Universidades falsificando notas, de políticos roubando e rindo ao mesmo tempo, da violência ter triplicado e da corrupção passar a ser normal, tenho a impressão de que o único jeito de expressar a insatisfação é atacando pessoas do bem, como eu, claro. Aí, dá até para dormir tranqüilo com a sensação de dever cumprido. Mas, amanhã é um outro dia, e aí... precisamos falar mal de mais alguém. E assim, a vida continua, para frente e para baixo.
Mas aqui é primavera e os Sakurás já começaram a dar sinais de vida. Daqui alguns dias virá o momento de mais uma celebração, junto à família e amigos, embaixo de uma árvore de cerejeira fazendo um pic-nic. É, a vida continua.

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