Beirada nipônica

Esforço para esquecer Hiroshima e Nagasaki

16 ago 2015 às 08:41

Ontem, sábado, 15 de agosto houve uma solenidade para lembrar a rendição do Japão na Segunda Guerra Mundial.
O imperador Akihito presente com a esposa Michiko, fez um breve discurso, com o público presente num silêncio completo.
Vários foram os que subiram ao palco para relatar suas memórias. Senhores e senhoras, todos com mais de setenta anos, foram contar suas lembranças, para mostrar tudo o que viveram, o que sofreram e as conseqüentes seqüelas. A maioria, crianças naquele tempo, que não entendiam muito bem o que ocorria. Uma delas disse só lembrar das chuvas de ferro que vinham do céu, sem saber que eram bombas jogadas pelos soldados americanos. Outra chegou a pergunta ao pai, contra quem é que país estava lutando.
A primeira bomba atômica foi lançada sob Hiroshima em 6 de agosto de 1945, a segunda caiu em Nagasaki em 9 de agosto. Em apenas três dias, duas bombas atômicas foram lançadas em cidades próximas, a destruição foi total, nunca visto em outro lugar do planeta.
Depois da rendição oficial, já sob bandeira americana, os japoneses precisaram a aprender rapidamente a viver sem liberdade, não havia praticamente nada para comer, e para beber somente as águas das chuvas.
Lembranças de corpos carbonizados, mutilados e machucados parece terem sido o grande trauma inicial para quem sobreviveu. Em seguida vieram a busca dos parentes, a convivência com as doenças, falta de alimentos e perda da auto-estima.
Enfim, houve a solenidade, tudo no maior respeito.
Em Okinawa, em frente à um painel com milhares de nomes de pessoas que perderam a vida, a população compareceu para acender velas. Outras cidades fizeram algo parecido.
As lembranças parecem que ainda estão vivamente presentes, e aqueles que sentiram na pele anos e mais anos de sofrimento, não conseguem ficar sossegados.
O povo japonês sempre gostou de guerra. Em 18 de setembro de 1931 invadem a Manchúria. Quatro anos depois assinam um acordo com a Alemanha Nazista para atacar os Russos. Em 7 de julho de 1937 invadem a China dando início a segunda guerra mundial na Ásia. Em 7 de dezembro de 1941, os japoneses bombardeiam Pearl Harbor, e os Estados Unidos entram na guerra.
Após tudo isso, depois de tantos anos sem pegar em armas e sem se envolverem diretamente em nenhuma guerra, os japoneses começam a mudar com a tentativa de aprovar uma lei que permite maiores investimentos nas forças militares e uma atuação mais ativa juntos aos seus aliados.
Parte da população é radicalmente contra, protestos pipocam por todos os lados, mas o parlamento trabalha para aprovar a lei que poderá mudar a historia pacifica do país no pós-guerra.
Tudo pode se repetir algum dia, desde as solenidades, as velas e a tentativa de esquecer o que aconteceu.

A bomba atômica


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