Beirada nipônica

Onde estavam os brasileiros?

20 mar 2016 às 08:28

Estive recentemente num evento onde estrangeiros falavam, em japonês, sobre alguns momentos marcantes que viveram no Japão.
Os participantes foram selecionados através dos temas e seus conteúdos. Ao todos foram dezesseis pessoas que contaram com emoção e uma dose enorme de verdade tudo o que passaram, em algum momento das suas vidas, por aqui.
Cheguei ao local pensando encontrar poucas pessoas, pois pensava que um evento como esse não despertaria muito interesse em quem quer que fosse. Mas o que vi ao chegar no auditório foi completamente diferente.
Em pouco minutos tudo já estava tomado, sendo até necessário improvisar algumas fileiras de poltronas para acomodar todo mundo.
Havia participantes da China, Vietnã, Indonésia, Peru, Sirilanka, Filipinas e Nepal. Eram estudantes, trabalhadores e uns poucos casados com japoneses. Contavam um pouco das dificuldades de adaptação, das diferenças culturais, da falta da família e de alguns foras que deram no início da estadia. A emoção era marcante em quem falava e em quem ouvia. Às vezes, o silêncio era total, e em outras a risada vinha fácil.
Não havia tema chato pois a narrativa era de uma verdade tão forte, que mesmo uma "engasgada" na língua japonesa, passava batido e até ficava divertido.
Entre o público as nacionalidades eram ainda mais amplas, pois amigos americanos, franceses, ingleses, entre outros, prestigiando o evento.
De brasileiro, somente eu. No palco, nenhum.
Não se explicar a ausência dos nossos conterrâneos, mas confesso que senti falta deles. Acho que se houvesse um brasileiro falando sobre o Japão, as coisas seriam ainda mais divertidas, pois tenho certeza de que o texto nos mostrariam situações surreais, como confundir comida de gato enlatado com atum para salada ou usar cuecas muito parecidas com calções de praia, em alguma piscina.
Durante esse ano haverá vários eventos similares, e tentarei encontrar um brasileiro para narrar suas histórias, sejam elas tristes ou alegres. O importante é participar e deixar registrada um pouco do que sentimos e passamos, como estrangeiros, num país tão diferente de tudo como é Japão.
As trocas de novidades é intensa, o aprendizado de novas culturas e hábitos enriquece, e nos tornamos mais flexíveis, pois passamos a entender coisas que até então eram desconhecidos.
O programa foi rico em conteúdo, e a oportunidade de conhecer pessoas que passam ou passaram pelas mesmas dificuldades, dá um alívio na alma. Notamos que o que nos faz parecidos é a simplicidade do que vivemos, e não do país de onde viemos. No fundo somos todos iguais.

Simple man


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