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Pai preocupado, filho desempregado.

27 mai 2012 às 07:01

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Recebi recentemente um e-mail de um pai muito preocupado com a situação do seu filho no Japão. O rapaz está com dificuldade de encontrar trabalho e parece que as portas de um novo emprego teimam em continuar fechados. O rapaz em questão está na província de Aichi-ken, local com a maior concentração de brasileiros em todo o país e onde estão instaladas a Toyota e as empresas do grupo como a Aisin, Toyota Boshoku, Aisin AW, Denso, Toyota Shatai, etc.
Ele se diz preocupado porque escrevi no post passado que está faltando trabalhadores no atual momento econômico japonês e o filho dele não consegue uma colocação. Acho que quer uma orientação.
O que posso dizer nesse caso é óbvio e acho que serve para quase todo mundo. Para estar empregado é necessário que o candidato queira trabalhar e não faça questão de algumas coisas como: tipo de serviço, cidade onde irá morar e turno, entre outros detalhes como entender razoavelmente o idioma, ter meios próprios de chegar ao trabalho, se possível experiência no ramo que gostaria de atuar, estabilidade nos serviços anteriores e muitas vezes até a moradia precisa ser por conta do trabalhador. Resumindo, são pequenos detalhes que somados fazem uma grande diferença.
Trabalho tem sobrando, só que as exigências, simples por sinal, são obrigatórias. Já se foram os tempos em que para estar empregado bastava ter apenas disposição. Agora, apesar da falta de mão de obra para o "chão das fábricas", o empregador não quer dor de cabeça em oferecer transportes, apartamentos e muitos menos contratar tradutores para os que não dominam a língua. Por isso, apesar de tantas ofertas existem tantos desempregados.
A solução para isso também não é difícil. Encontrar um trabalho que não requer muito do candidato e ir aprendendo a cultura, o idioma e as nuances do ambiente de trabalho.
Na crise de 2008 praticamente todos os temporários perderam os empregos, e aos poucos, os que estavam melhores preparados foram sendo chamados de volta. Como o governo havia oferecido uma ajuda para quem quisesse retornar ao país de origem, muitos aceitaram, mas não sabiam que as portas para um novo visto estariam fechadas. Aí as indústrias saíram atrás dos que ficaram, mas esbarraram na falta de preparo de muitos deles. Resultado, sobram vagas e faltam candidatos.
O setor que sempre está aberto para novas contratações é o setor alimentício. Apesar do salário ser menor, a estabilidade acaba compensando e quem se adapta vai fazendo seu pé-de-meia devagarzinho. Sem contar que as indústrias deste ramo trabalham todos os dias do ano e vinte e quatro horas/dia. O Japão é infestado de lojas de conveniências e todos os supermercados vendem alimentos prontos para consumo, àqueles que você chega a casa, esquenta e come. E como todos precisamos, de um jeito ou de outro se alimentar, então não tem muita crise.
A partir do mês de julho entrará em vigor um novo sistema de controle para os estrangeiros, e eu contarei isso futuramente.
Por enquanto, força para o pai preocupado e equilíbrio para o filho desempregado.

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