Deveria ter escrito este post no dia do desfile (segunda-feira, 20), mas uma intensa dor num dos músculos das costas e um incômodo na região do ombro e pescoço não me permitiram registrar antes a beleza que foi a apresentação dos medalhistas olímpicos.
O desfile foi em "ônibus abertos" no bairro de Ginza e contou com uma multidão de arrepiar. Todos os 71 medalhistas compareceram uniformizados sob uma temperatura de 34 graus e umidade de 70%, o que faz suar em bicas.
Todos estavam alegres com a recepção e espantados com tanto assédio, tanta gratidão. Os prédios comerciais deixaram um pouco o trabalho de lado, o pessoal do escritório ficou nas janelas, e quem estava na rua formou um corredor impressionante. Nenhum atleta esperava uma recepção desse porte.
Para mim, o que achei mais interessante e oportuno foi a ausência dos dirigentes, aqueles que vão aos jogos e nem precisam tirar o paletó. Os cartolas, no jargão tupiniquim. Os que gostam e precisam aparecer. Essa festa foi somente para quem treinou, dedicou e abriu mão de muitas coisas para colocar no peito uma medalha olímpica, o que, convenhamos, não é para qualquer "zé migué".
O povo entendeu o esforço de cada um, sentiu e percebeu nas fisionomias, nos olhares e nos corpos, tudo o que eles passaram. A pressão sempre é grande e nenhum atleta profissional gosta de perder.
Entres os homenageados haviam os consagrados, aqueles que já detinham outras medalhas e recordes, e os que sentiam pela primeira vez o gostinho da festança. As meninas do tênis de mesa estavam radiantes, da mesma forma que a equipe de esgrima, vôlei e futebol feminino. O judô de tanta tradição comemorava discretamente, como de costume. A natação dos meninos e das meninas era pura alegria.
O Japão trouxe de Londres 38 medalhas no total, algumas em esportes pouco difundidos (Tênis de Mesa, Esgrima, Arco e Flecha, por exemplo) ou com vários anos sem pódio (Vôlei feminino, Boxe, Badminton), o que só fez aumentar a alegria do pessoal.
Já escrevi anteriormente, não ouvi nenhuma crítica sobre quem era favorito e não trouxe a medalha, uma só palavra de reprovação. Eu, acostumado a enxergar somente os vitoriosos, recebi uma grande lição Olímpica. Apesar de tanto individualismo, egoísmo e trairagem, o IMPORTANTE É COMPETIR continua em alta. É o lema para as nossas vidas também.
Desfile em Ginza
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