Parece que o vilão continua sendo o stress que sofrem os trabalhadores. Uma cultura bastante repressiva para um país desenvolvido e moderno é que tem causado mortes, invalidez e tentativas de suicídios.
Segundo o Ministério do Trabalho, entre março de 2011 e abril de 2012 aumentou o número de trabalhadores que tiveram que deixar suas posições devido à depressão ou outros problemas mentais. Foram 325 pessoas que de agora em diante ficarão em casa recebendo tratamento e num interminável vai e vem aos hospitais.
Dentre esses novos doentes, sessenta e cinco tentaram o suicídio.
Vocês conseguem imaginar o que é uma pessoa tentando tirar a própria vida por não conseguir lidar com a pressão recebida no trabalho? Eles não estão com problemas econômicos, não são desajustados sociais, não são analfabetos, não estão mendigando pelas ruas das cidades. São funcionários de diversas empresas, estudados e teoricamente preparados para as funções que não conseguem ajustarem-se ao modo como são feitos às coisas. Lógico que tudo isso tem muito a ver com a cultura da empresas. O modelo onde mais velho tem sempre a razão e os mais antigos se sentirem no direito de maltratarem os novatos tem muita influência nessas estatísticas.
Isso tudo tem início nas escolas onde os professores sentem-se como reis. Eles mandam e os alunos é que limpam as classes, higienizam os banheiros, passam as vassouras nos ginásios de esportes e tiram o mato do estacionamento. O que o professor fala é lei. A falta de obediência pode levar a uma perseguição durante o ano todo.
No ginásio as coisas pioram. Os alunos mais velhos, seguindo os mesmos ensinamentos dos professores, sentem-se no direito de ridicularizarem os novatos. Se tiverem oportunidade e encontrarem alguém mais vulnerável, os veteranos o fazem carregar as malas, trazerem os lanches e fazerem os seus deveres escolares. No colégio é onde acontece a maior quantidade de suicídios. Continuando no caminho da hierarquia etária, as crianças mais velhas chegam a extorquir os novos pedindo-lhes dinheiro e outros bens materiais. Os mais fracos emocionalmente saem da escola ou tentam o suicídio. Continuando para a fase adulta, já nas empresas, o ritual de judiarem dos mais novos continua. Lá os recém contratados são obrigados a limpar os banheiros, servirem os cafezinhos, atenderem todo e qualquer telefone, visitarem os piores clientes, tudo para colocá-los nos "seus devidos lugares". Tudo com a autorização dos gerentes e encarregados. Praticamente não recebem treinamentos e são colocados "às feras" para ver como se saem. É uma espécie de seleção natural.
Os governos mostram as estatísticas, todo mundo lê, acham um absurdo e no dia seguinte continuam fazendo tudo igual. E assim, o Japão continua sendo o país com o maior número de suicídios no mundo (mais de 30 mil) e aumentando por onze anos consecutivamente. Juntamente com a liderança no desenvolvimento tecnológico e na quantidade de idosos, no quesito humilhação, o país também lidera.
Esquizofrenia
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