Beirada nipônica

Vai ficar apenas no sonho

10 jun 2018 às 08:29

Assisti ao jogo onde a seleção japonesa deu outro vexame. Não é somente pelo resultado, mas também pela forma como jogaram.
Nishino (treinador) definiu entre os 23 jogadores alguns veteranos de Copas passadas. Nada contra, o problema é que esse pessoal não evoluiu nos seus respectivos clubes, quando nem jogando com frequência estão.
Não é de hoje que falta qualidade ao elenco, mas agora as coisas estão realmente ruins.
Os problemas estão por todos os lugares, desde erros pessoais em passes, cruzamentos e posicionamento, até na parte tática onde os atletas não estão conseguindo assimilar o que o treinador deseja.
Jogaram com três zagueiros contra Gana, a equipe perdeu por 2x0. Jogaram com quatro zagueiros contra a Suíça, perderam de 2x0 também.
O volantes nem atacam e nem defendem, os armadores gostam de passes laterais, não criam, não constroem, e os atacantes mal posicionados, ficam muito tempo de costas para o gol.
Até o goleiro, veterano de três Copas está mal. Uma reposição errada resultou num lance patético, com Kawashima voltando desesperadamente para o gol e batendo contra a trave.
Pelo andar da carruagem, parece que o time não passa da primeira fase.
Problema maior é que faz anos que a Samurais Azuis não conseguem um padrão de jogo, um estilo próprio de conduzir uma partida. Mudam de comandante a cada ciclo, e trazem treinadores que nunca souberam nada sobre o futebol japonês. Não conhecem alguns detalhes culturais, que refletem nos esportes, e que poderiam ajudar na montagem de uma equipe. Chegam impondo um sistema de jogo onde é necessário velocidade e força física, lançamentos longos, infiltrações com a bola dominada.
O futebol japonês é feito de toques, movimentação constante, e muita paciência para furar um bloqueio. Fisicamente são fracos, e não possuem ainda qualidade técnica para dominar uma bola em alta velocidade e partir para o gol. Fundamentos básicos ainda são um problema para os futebolistas nipônicos.
Treinada por Zaccheroni (italiano) na Copa de 2014 no Brasil, foi eliminada logo na fase de grupos, perdendo os 3 jogos. Em seguida veio o bósnio Vahid Halilhodzic que faltando pouco mais de 2 meses para a Copa foi dispensado, em seu lugar chegou o japonês Nishino, que já ocupava um cargo na Federação Japonesa.
O grande problema é que os treinadores estrangeiros de países com mais tradição no futebol, chegam com uma mentalidade "mais avançada", e demoram para entender que o futebol por aqui ainda não atingiu o grau das grandes equipes.
Por falta desse conhecimento, exigem fundamentos onde os atletas japoneses são falhos, impõe táticas que eles ainda não compreendem e exigem variações no ritimo dos jogos que eles não conseguem. Pecam também no sentimento de buscar a vitória sempre, contentando-se, muitas vezes, com o esforço desprendido ou em apenas ter jogado uma partida imporante. O resultado ainda é secundário.
Particularmente, não acredito que a seleção japonesa fará um bom papel na Rússia, mas preciso reconhecer que os japoneses estão acostumados a "ganhar forças" quandos as coisas estão bem ruins. Parece que quando estão por baixo é que a garra, a vontade de vencer e o sentimento de superação ficam mais fortes. A história mostra que eu não estou errado.

Japão x Suíça

Japão x Gana


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