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OS VIVOS E OS MORTOS

21 mar 2015 às 05:13

Em 58 anos de carreira, o cineasta americano John Huston atuou em 54 trabalhos, escreveu 50 roteiros e dirigiu 47 filmes. Os Vivos e os Mortos, de 1987, foi sua última obra, lançada quatro meses após sua morte. O roteiro, é baseado no conto Os Mortos, do escritor irlandês James Joyce. A adaptação foi feita por Tony Huston, filho mais velho do diretor. A ação se passa em Dublin e se concentra no dia 6 de janeiro de 1904, quando se comemora o Dia de Reis. Um grupo de pessoas está reunido na casa das irmãs Morgan para um sarau de músicas e poesias. Ao final, um dos presentes canta uma música triste que faz com que Gretta (Anjelica Huston) se lembre de uma antiga paixão. A situação intriga Gabriel (Donal McCann), seu marido. Os Vivos e os Mortos, ao contrário do que pode sugerir o título, é um filme carregado de ternura e beleza. Huston é um mestre da narrativa. Neste seu derradeiro trabalho, ele nos presenteia com um testamento de grande valor artístico e humano. E, como o sueco Ingmar Bergman, retrata nossa alma coletiva e individual com um brilhantismo e uma sinceridade poucas vezes vista no cinema. Chamar Os Vivos e os Mortos de obra-prima é pouco. Ele é aquele tipo de filme que os americanos costumam classificar como "maiores que a vida". Ponto final. Não é preciso dizer mais nada.

OS VIVOS E OS MORTOS (The Dead - Inglaterra/Irlanda/EUA 1987). Direção: John Huston. Elenco: Anjelica Huston, Donal McCann, Dan O'Herlihy, Donal Donnelly, Marie Kean, Helena Carroll, Cathleen Delany e Kate O'Toole. Duração: 83 minutos. Distribuição: Cult Classic.


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