Os momentos difíceis permitem reconhecer os amigos verdadeiros.
Eles permanecem de teu lado e te apoiam.
Enquanto os falsos amigos, os bajuladores e os oportunistas se afastam com indiferença para observar de longe, para ver se tu cairás ou continuarás.
Se tu cais, eles se afastam definitivamente.
Se tu consegues continuar, eles voltam como se nada tivesse acontecido.
A arma mortal dos falsos amigos, e de alguns inimigos declarados, é a indiferença. Eles não se comovem se tu precisas de ajuda. Afastam-se. Mas estão por perto quando pensam que tu tens algo para dar.
E podem ganhar algumas migalhas. Mas essa pobreza espiritual tarde ou cedo ficará exposta.
Não se pode escalar uma montanha com a energia alheia, amarrando as cordas aos calcanhares dos outros.
Os sábios antigos diziam que tudo é impermanente. A vida tem seus avanços e seus retrocessos, seu inverno e seu verão, seus cumes e seus abismos.
E nessa roda gigante da vida a lição é aprender a ver a alma das pessoas e separar o joio do trigo.
A maioria vive prisioneiro das palavras que escuta e esquece de olhar a alma do outro.
É a alma que guarda a beleza ou a podridão.
A diferença entre o sorriso amigo e o sorriso falso não está nos lábios - é a alma quem sorri através dos lábios.
E o desejo de tirar vantagem do outro fingindo uma amizade que não é verdadeira, não é um desejo superficial.
A luz e a escuridão estão amalgamadas.
O ser humano é como a Lua, tem um lado escuro e escondido.
Por isso o verdadeiro amigo nunca te abandonará. Ele entende e aceita não só a tua Luz, mas também a tua escuridão.
Falsos amigos... quem não tem algum deles espreitando nas sombras?
Isabel Furini - é escritora e poeta autora de "Os Corvos de Van Gogh" -
e-mail: isabelfurini@hotmail.com