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Sylvio do Amaral Schreiner
Sylvio do Amaral Schreiner
08/03/2020 - 15:53
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Meu pai é homossexual. Ele se descobriu gay quando tinha 50 anos e eu 22. Ele se separou da minha mãe e acabou assumindo um relacionamento com outro homem dez anos mais novo. Já se passaram alguns anos e eu até hoje não consigo aceitar que meu pai seja gay. Hoje sou casada e tenho um filho e não quero que meu filho se encontre com meu pai, não aceito a condição dele. Nada vai me fazer mudar de idéia. Só quero que ele volte a ser o que era, um pai, um homem casado com mulher, como os homens devem ser. Meu pai me deixa irritada e infeliz.

O que te deixa irritada e infeliz não é o modo como seu pai vive a vida, que é dele por sinal, mas por insistir no pensamento rígido que não admite mudança e aprendizagem, ou seja, que vai contra a realidade de que você não controla o mundo. Acreditar na onipotência e se deparar que ela é ilusão é o que te aborrece.

A história da "cura gay" e seus defensores serve para você aprender algo importante: Quem acha que pode mudar o comportamento do outro ou simplesmente estabelecer o que é certo e errado está preso na onipotência. Onipotência só leva ao preconceito e este só leva ao distanciamento entre as pessoas. Hoje você vive afastada do seu pai por preconceito e não porque ele te impede a aproximação.

Ele não se descobriu gay aos 50, ele apenas se permitiu viver a sua orientação sexual aos 50. Não é fácil mudar a rota da vida, mesmo quando necessário, é um ato que requer muita coragem e isso seu pai mostrou. Será que por essa atitude ele não mereceria alguma demonstração de afeto e respeito?

Não cabe a você decidir o que seu pai é ou não. Você só pode aceitá-lo. Devemos desejar que as pessoas que amamos sejam felizes e só podemos ser realmente felizes quando podemos ser nós mesmos. Você exige que seu pai seja outro, contrariado e reprimido, e ele deu mostras de que não aceita isso. Ainda bem que é assim. A vingança de impedir seu filho de conviver com o avô é prejudicial a todos e só ensina o ódio e o ressentimento. Enquanto não largar a onipotência a maior perdedora será você mesma.
COMENTÁRIOS
Sandra
Sabe, é tão complicado, o mundo romantiza a pessoa que assume que é gay mesmo que tardiamente após ter uma família, eu fui casada e tenho um filho, e minha família era linda e éramos perfeitos ao nosso modo, até o dia que ele pediu separação e foi embora, sem explicação, dois meses depois ele estava viajando com nosso filho e o esposo e assim em fotos em redes sociais ele expôs isso ao mundo, e pro nosso filho e pra mim. Nossa que lindo ele se assumir todos pensaram. Pro meu filho e pra mim, que TRAIÇÃO, a felicidade dele custou a nossa felicidade, não que ele devesse viver infeliz mantendo nossa família, mas explicações deveriam acontecer, e pesno sim, se era gay porque casou, se era gay porque quis ter um filho comigo, pois foi uma gravidez desejada e planejada. Nosso filho sofre bullying da escola, pois é filho do gay e agora tem um padastro do pai. É um sofrimento grande pra mim que passados dois anos não consigo me relacionar com ninguém pois acho que todos os homens são gay, meu filho sofre pelas retalhações dos "amigos" e do próprio pensamento, eu tinha uma família "tradicional", nasci e cresci vendo esse relacionamento hétero, e doze anos depois meu pai se diz gay e surge com um esposo! Isso pesa muito pra mim e pro meu filho, sofremos pelo fato dele não ter se assumido solteiro e ter levado a vida que ele sempre sonhou, a felicidade dele hoje custa a nossa!
(1) - 04/06/20 13:28:22
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Sylvio do Amaral Schreiner
 
No blog Mundo Vivo o psicoterapeuta Sylvio do Amaral Schreiner convida o leitor a refletir sobre questões que afligem e maravilham as pessoas. Por meio de artigos pertinentes e atuais, podemos discutir sobre tudo e, com isso, enriquecer nossa sabedoria – lembrando que sabedoria e conhecimento são coisas diferentes. Conhecimento é TER, sabedoria é SER. Esperamos que este seja um espaço para a sabedoria vir a morar, se modificar e evoluir.



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