Brasil

Atletas do vôlei feminino terão de passar por teste genético, diz CBV

15 ago 2026 às 14:59

A CBV (Confederação Brasileira de Voleibol) anunciou nesta sexta-feira (14) uma nova política de elegibilidade para atletas das competições femininas. A partir da mudança, a categoria passa a ser restrita a atletas do sexo biológico feminino, conforme os critérios estabelecidos pela entidade. A medida segue as novas diretrizes do COI (Comitê Olímpico Internacional) e da FIVB (Federação Internacional de Voleibol).


A comprovação será feita por meio da triagem do gene SRY, associado ao desenvolvimento das características sexuais masculinas. Segundo a política publicada pela CBV, a coleta poderá ocorrer por saliva, esfregaço da mucosa bucal ou sangue, de acordo com o protocolo adotado pelo laboratório. A entidade também determina que a testagem seja aplicada de maneira geral e não seletiva às atletas que pretendam disputar a categoria feminina.


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A nova regra representa uma mudança em relação ao modelo anteriormente adotado pela CBV, que estabelecia critérios relacionados aos níveis de testosterona para a participação de atletas trans. A entidade afirma que a alteração acompanha uma mudança nas normas internacionais. Em 2025, a FIVB passou a prever a triagem do gene SRY como critério inicial de categorização por sexo e, em março deste ano, o COI revisou sua política sobre a proteção da categoria feminina.


“A decisão da CBV se adequa ao COI e deixa nossos campeonatos equiparados com as competições internacionais”, afirmou o presidente da entidade, Radamés Lattari. Segundo a confederação, a mudança busca manter as competições nacionais alinhadas às regras adotadas no cenário internacional.


A política já será aplicada na temporada 2026/2027 da Superliga A e B, além da Supercopa 2026, Copa Brasil 2027, Circuito Brasileiro de Vôlei de Praia 2027 (adulto) e CBVP Challenger 2027. A determinação também continuará válida nas edições seguintes das competições enquanto a política estiver em vigor.


Mudança afeta Tifanny


Entre as atletas diretamente impactadas pela nova política está Tifanny Abreu, do Osasco São Cristóvão Saúde. A jogadora foi a primeira mulher trans a atuar na elite do vôlei brasileiro e integra a equipe paulista desde 2021. Com a nova regra, ela fica impedida de disputar as competições nacionais organizadas pela CBV que adotarem o novo critério.


A situação ocorre meses depois de uma decisão do STF (Supremo Tribunal Federal) envolvendo a atleta. Em fevereiro, a ministra Cármen Lúcia autorizou a participação de Tifanny em uma partida contra o Sesc RJ Flamengo, em Londrina. Na ocasião, a magistrada considerou inconstitucional uma lei municipal que restringia a presença de atletas trans em competições esportivas e apontou que a norma representava retrocesso em políticas de igualdade de gênero e dignidade humana.


Apesar da nova política da CBV, Tifanny foi liberada pela FPV (Federação Paulista de Voleibol) para disputar o Campeonato Paulista. A entidade estadual informou neste sábado (15) que a competição havia começado antes da publicação da nova norma da confederação e, por isso, seguirá sob as regras que estavam vigentes anteriormente.

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