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Dia do nordestino

Dia do nordestino: conheça um pouco da história do poeta Patativa do Assaré

Rodolfo Salloum - Estagiário*
08 out 2019 às 15:53
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Nesta terça-feira, dia 8 de outubro, é celebrado o dia do nordestino. A data, que foi instituída pela lei 14.952/2009 no município de São Paulo, entrou para o calendário nacional de comemorações. O dia escolhido foi devido ao nascimento de uns nordestinos de maior expressão, Antônio Gonçalves da Silva, mais conhecido como Patativa do Assaré, um cearense que foi poeta, cantor e compositor.

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Patativa do Assaré viveu quase um século (1909-2002) e, durante sua vida, a literatura sempre esteve presente. Mesmo tendo frequentado pouco o ensino regular, cerca de quatro meses, foi suficiente para ele aprender a ler e se apaixonar pela poesia.


Seu primeiro livro, intitulado Inspiração Nordestina, foi publicado em 1956. Durante todo o período em que escreveu, Assaré recebeu diversos prêmios literários pelos seus trabalhos, incluindo o título de Doutor Honoris Causa pela Universidade Federal do Ceará, em 1999.


O objetivo da data é homenagear toda a diversidade cultural e folclórica que é típica daquela região, que é reconhecida internacionalmente não só pelas belezas naturais, mas também pela sua forte tradição cultural com os repentes, os cordéis, o reisado, o frevo, a capoeira, o artesanato e, é claro, a culinária.


O nordeste brasileiro é composto pelos estados da Bahia, Alagoas, Sergipe, Ceará, Paraíba, Maranhão, Piauí, Pernambuco e Rio Grande do Norte.

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Confira um dos poemas mais famosos feito por Patativa do Assaré, intitulado Triste Partida, ficou nacionalmente conhecido após o ter ganhado uma versão musical interpretada pelo Rei do Baião, Luiz Gonzaga.


Triste Partida


Meu Deus, meu Deus. . .


Setembro passou
Outubro e Novembro
Já tamo em Dezembro
Meu Deus, que é de nós,
Meu Deus, meu Deus
Assim fala o pobre
Do seco Nordeste
Com medo da peste
Da fome feroz
Ai, ai, ai, ai


A treze do mês
Ele fez experiência
Perdeu sua crença
Nas pedras de sal,
Meu Deus, meu Deus
Mas noutra esperança
Com gosto se agarra
Pensando na barra
Do alegre Natal
Ai, ai, ai, ai


Rompeu-se o Natal
Porém barra não veio
O sol bem vermeio
Nasceu muito além
Meu Deus, meu Deus
Na copa da mata
Buzina a cigarra
Ninguém vê a barra
Pois a barra não tem
Ai, ai, ai, ai


Sem chuva na terra
Descamba Janeiro,
Depois fevereiro
E o mesmo verão
Meu Deus, meu Deus
Entonce o nortista
Pensando consigo
Diz: "isso é castigo
não chove mais não"
Ai, ai, ai, ai


Apela pra Março
Que é o mês preferido
Do santo querido
Senhor São José
Meu Deus, meu Deus
Mas nada de chuva
Tá tudo sem jeito
Lhe foge do peito
O resto da fé
Ai, ai, ai, ai


Agora pensando
Ele segue outra tria
Chamando a famia
Começa a dizer
Meu Deus, meu Deus
Eu vendo meu burro
Meu jegue e o cavalo
Nós vamos a São Paulo
Viver ou morrer
Ai, ai, ai, ai


Nós vamos a São Paulo
Que a coisa tá feia
Por terras alheia
Nós vamos vagar
Meu Deus, meu Deus
Se o nosso destino
Não for tão mesquinho
Cá e pro mesmo cantinho
Nós torna a voltar
Ai, ai, ai, ai


E vende seu burro
Jumento e o cavalo
Inté mesmo o galo
Venderam também
Meu Deus, meu Deus
Pois logo aparece
Feliz fazendeiro
Por pouco dinheiro
Lhe compra o que tem
Ai, ai, ai, ai


Em um caminhão
Ele joga a famia
Chegou o triste dia
Já vai viajar
Meu Deus, meu Deus
A seca terrível
Que tudo devora
Lhe bota pra fora
Da terra natá
Ai, ai, ai, ai

O carro já corre
No topo da serra
Oiando pra terra
Seu berço, seu lar
Meu Deus, meu Deus
Aquele nortista
Partido de pena
De longe acena
Adeus meu lugar
Ai, ai, ai, ai.


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