O levantamento de dados mostra que a situação no Pará se estendeu para o ano seguinte, 1978, quando houve 48 registros de objetos voadores não identificados, de um total de 63 nacionalmente.
O ano que aparece em décimo lugar no ranking de mais avistamentos, 1986, tem uma particularidade: a maior parte dos casos aconteceu em uma única noite. No dia 19 de maio, pelo menos 21 óvnis foram avistados em quatro estados do país -o que levou a Força Aérea a enviar caças para interceptá-los.
Os arquivos sobre o tema guardam dezenas de documentos sobre aquele dia, com relatos de diversos pilotos e até gravações em áudio.
Um relatório enviado ao Ministério da Aeronáutica traz um resumo do caso. O que torna aquela noite lendária é que os objetos não foram só detectados pelos radares do controle aéreo -os óvnis também apareceram no radar dos caças e, em vários casos, foram vistos a olho nu pelos pilotos.
Segundo o documento, os objetos alternavam velocidades supersônicas e subsônicas, variavam de altitude, emitiam luzes de diferentes cores e podiam "efetuar curvas com raios constantes e outras vezes com raios indefinidos".
Os aviões de combate chegaram a perseguir os objetos, mas eles fugiram, alguns em direção ao oceano Atlântico.
A conclusão? "Este Comando é de parecer que os fenômenos são sólidos e refletem de certa forma inteligência, pela capacidade de acompanhar e manter distância dos observadores como também voar em formação, não forçosamente tripulados."
Os arquivos daquele ano mostram que óvnis continuaram a ser vistos por pilotos nos dias e meses seguintes àquela noite.
Casos como esses fizeram a Força Aérea implementar uma política de Estado para reunir e organizar relatos sobre óvnis pelo país.
Em 1978, por exemplo, um ano depois da Operação Prato, uma nota do Ministério da Aeronáutica recomendava uma organização cronológica dos fenômenos no céu do Brasil, "como todos os dados disponíveis, inclusive aqueles obtidos por investigações oficiais posteriores".
Já depois do episódio de 1986, a força decidiu entregar ao Nucomdabra (Núcleo do Comando de Defesa Aeroespacial Brasileiro) por analisar e guardar os documentos sobre óvnis. E foram decisões como essas que permitiram esses papéis estarem hoje reunidos em uma coleção unificada, em vez de dispersos.
A reportagem foi produzida em parceria com o Google. A Folha de S.Paulo coletou documentos que estão agora organizados e disponíveis à consulta na ferramenta Pinpoint.
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