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É real ou deepfake? Vídeos manipulados com IA se espalham nas eleições

02 out 2026 às 15:46

Imagine abrir as redes sociais e encontrar um jornalista conhecido anunciando uma pesquisa eleitoral que nunca existiu. Ou uma celebridade declarando apoio a um candidato sem jamais ter feito a manifestação. Situações desse tipo foram identificadas durante a campanha para o primeiro turno das eleições de 2026.


Levantamento do projeto VigIA, da Agência Lupa, encontrou 554 deepfakes entre 16 de agosto e 28 de setembro. Os conteúdos representaram 60% dos 920 materiais produzidos ou alterados com inteligência artificial identificados no período — uma média de quase um conteúdo com IA por hora.


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Deepfake é um conteúdo criado ou manipulado digitalmente para fazer uma pessoa parecer dizer ou fazer algo que não aconteceu. Entre os casos encontrados pelo VigIA estão vídeos com jornalistas anunciando pesquisas falsas e celebridades aparecendo artificialmente em manifestações de apoio a candidatos.


Maioria dos conteúdos não tinha aviso sobre IA


O levantamento também encontrou um problema relacionado à identificação dos conteúdos. Dos 920 materiais analisados, 549, ou 60%, não apresentavam qualquer sinalização sobre o uso de inteligência artificial. Outros 371 tinham algum tipo de aviso.


Pelas regras eleitorais, conteúdos produzidos ou significativamente alterados com IA usados em propaganda devem informar de forma explícita e acessível que houve uso da tecnologia. O TSE também proíbe deepfakes utilizados para favorecer ou prejudicar candidaturas.


Em setembro, o TSE definiu que, para a proibição específica de deepfakes, o conteúdo precisa ser caracterizado como propaganda eleitoral. A Corte estabeleceu ainda que o material deve apresentar grau de realismo ou verossimilhança e alterar ou reproduzir imagem, voz ou manifestação de uma pessoa.



Quem está produzindo os conteúdos?


A maior parte dos materiais identificados não saiu de contas oficiais de candidatos ou partidos. O VigIA encontrou 1.941 conteúdos suspeitos no período e, até o fechamento do levantamento, 972 haviam passado por análise. Desses, 920 tiveram uso de IA confirmado.


Entre os conteúdos confirmados, 414 (45%) tinham como finalidade promover candidaturas. Outros 254 (27,6%) foram classificados como humor ou sátira e 226 (24,6%) buscavam atacar pessoas ou candidaturas.


Os casos também mostram que a inteligência artificial não ficou restrita à disputa presidencial. Segundo o levantamento, 228 dos 920 conteúdos tinham temática relacionada a eleições estaduais, Senado ou Câmara dos Deputados.


O projeto VigIA é realizado pelo Observatório Lupa em parceria com o Recod.AI, da Unicamp, além de FAAP e Meedan. A análise combina monitoramento humano, ferramentas de detecção e avaliação dos pesquisadores para identificar conteúdos produzidos ou modificados por IA.

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