Os brasileiros já desembolsaram mais de R$ 530 milhões em casas de apostas desde o início da Copa do Mundo, e a tendência é que esse valor continue crescendo ao longo da competição. O avanço dos gastos reforça o alerta de especialistas e do Idec (Instituto de Defesa do Consumidor), que veem nos grandes eventos esportivos um ambiente propício para ampliar o alcance das plataformas de apostas e atrair novos usuários.
Levantamento do Placar das Bets, plataforma da empresa de análise de dados Klavi baseada em informações do Open Finance, mostra que, antes mesmo do torneio começar, cada apostador havia gasto, em média, R$ 188. Na última quinta-feira (25), esse valor já havia subido para R$ 242. A expectativa do mercado é de que a Copa de 2026 movimente um volume de apostas pelo menos 50% maior que o registrado na edição de 2022.
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Para o Idec, esse crescimento preocupa pelos impactos financeiros e sociais. A entidade afirma que a forte publicidade das bets durante a Copa contribui para normalizar as apostas e atingir não apenas jogadores habituais, mas também consumidores ocasionais e pessoas em situação de vulnerabilidade. Segundo o instituto, o discurso das campanhas costuma minimizar riscos como superendividamento, perda de renda e problemas de saúde mental.
O professor Ahmed El Khatib, da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo), afirma que a emoção despertada por torneios como a Copa favorece decisões impulsivas. Na avaliação do especialista, a sensação de que o torcedor conhece bem as equipes e consegue prever os resultados cria uma falsa impressão de controle, levando muitas pessoas a apostar mais do que pretendiam. Ele defende regras mais rígidas para a publicidade, ações permanentes de educação financeira e mecanismos para identificar comportamentos compulsivos entre apostadores.