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"Repúdio ao terrorismo"

Gilmar Mendes vota pela extradição de Cesare Battisti

Agência Brasil
18 nov 2009 às 21:32

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Fabio Rodrigues Pozzebom/ABr
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O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Gilmar Mendes, alegou o compromisso do Brasil de repúdio ao terrorismo para votar a favor da extradição do ex-ativista político e escritor Cesare Battisti. Gilmar Mendes ainda não concluiu a leitura do seu voto, no entanto, já se posicionou a favor da extradição do italiano.

Em seu voto, Gilmar Mendes reconheceu a existência de crimes políticos, mas defendeu que os crimes de assassinatos imputados a Battisti pela Justiça italiana não se enquadram nessa categoria. "Não vejo como se poderia atribuir, diante das descrições o caráter de crime político aos assassinatos", disse Gilmar Mendes após ler os registros da justiça italiana sobre as circunstâncias nas quais os crimes teriam ocorrido.


Com o posicionamento de Mendes, o Supremo, quanto ao mérito, foi favorável à extradição de Battisti, por cinco votos a quatro. Dois ministros decidiram não votar alegando questões de foro íntimo: José Antônio Dias Toffolli e Celso de Mello. Resta ainda decidir se o presidente Luiz Inácio Lula da Silva será obrigado a acatar essa decisão. Nessa decisão, todos os ministros votarão.


Essa apreciação é necessária na medida em que a matéria refere-se a uma questão internacional, que envolve relações entre o Estado brasileiro e a Itália e, por isso, de competência do chefe do Executivo.


Em recente viagem à Itália, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva sinalizou que deverá acatar a decisão do STF, caso o tribunal assim determine. Lula disse em pronunciamento à imprensa, ao lado do primeiro ministro da Itália, Silvio Berlusconi, que "se a decisão da Suprema Corte for determinativa não se discute, cumpre-se". Lula, no entanto, não disse qual seria sua posição caso o STF remetesse a ele a decisão sobre o caso. "Eu não posso discutir hipóteses de uma coisa que está em julgamento", argumentou recentemente.


Ex-integrante da organização de esquerda Proletários Armados pelo Comunismo, Battisti foi condenado à prisão perpétua em 1993, em julgamento à revelia, acusado da autoria de quatro assassinatos entre 1977 e 1979 em seu país de origem. O escritor passou 28 anos anos se exilando na França, no México e por último no Brasil, onde foi preso no Rio de Janeiro há pouco mais de dois anos. Atualmente, se encontra detido na Penitenciária da Papuda no Distrito Federal.

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Em 13 de janeiro deste ano, o ministro da Justiça, Tarso Genro, concedeu status de refugiado político ao italiano, sob a alegação de que Batistti não teve direito a ampla defesa no seu país de origem e de que um eventual retorno colocaria em risco a integridade física do escritor.


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