Apesar da eleição presidencial mais acirrada da história e dos sucessivos escândalos de corrupção, a satisfação com a democracia no Brasil cresceu 13 pontos em 2014 e chegou ao maior nível desde 2010: 39% dos brasileiros dizem estar "muito satisfeitos" ou "satisfeitos" com o regime democrático, segundo pesquisa do Ibope, feita a pedido do jornal O Estado de S. Paulo. Apenas 26% diziam isso em 2013, o ano dos protestos em massa.
Ao mesmo tempo, caiu de 40% para 30% a taxa dos "pouco satisfeitos" e de 29% para 22% a dos "nada satisfeitos". Embora numerosos, é significativo que esses contingentes tenham caído, a despeito das manifestações por intervenção militar.
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"Grupos extremistas são mais estridentes. Têm uma repercussão maior do que sua representatividade social. Não surpreende que a pesquisa mostre bem o contrário do barulho que esse grupo causa. Ele (o grupo) dá uma falsa impressão de que tem muito mais gente insatisfeita com a democracia", diz o cientista político e professor da Fundação Getúlio Vargas Cláudio Couto.
De fato, a maior parte da população afirma que "a democracia é preferível a qualquer outra forma de governo": são 46%, ante 20% que dizem que "um governo autoritário pode ser preferível", dependendo das circunstâncias. O terço restante é indiferente, não soube ou não quis responder à pergunta.
Porém, se somarmos os pouco satisfeitos com os nada satisfeitos, eles chegam a 52% do eleitorado. Para José Álvaro Moisés, professor de Ciência Política da USP, "há problemas crônicos no Brasil em relação à confiança das pessoas na democracia, que já vem de algum tempo". Ele lembra a desconfiança com os partidos e o Congresso e cita duas causas: 1) a avaliação popular de que funcionam mal e 2) a percepção de aumento da corrupção.