Um megaevento para 70 mil pessoas, com apresentações artísticas, venda de suvenires, policiamento reforçado e a presença da presidente Dilma Rousseff (PT) marca neste domingo (22), em Salvador, a cerimônia de beatificação da religiosa baiana Maria Rita de Souza Brito Lopes Pontes, a Irmã Dulce (1914-1992), que passa a ser conhecida como Bem-Aventurada Dulce dos Pobres.
Sua festa litúrgica também será marcada: 13 de agosto. A data relembra o dia em que ela recebeu o hábito da Congregação das Irmãs Missionárias da Imaculada Conceição da Mãe de Deus, em 1933. Naquele momento, adotou o nome de Dulce, em homenagem à mãe, que morreu quando ela tinha 7 anos.
Os portões do Parque de Exposições serão abertos ao meio-dia. A partir das 14 horas, apresentações de grupos formados em instituições ligadas às Obras Sociais Irmã Dulce (Osid) vão entreter os fiéis até o início da celebração canônica, às 17 horas.
Cerca de 550 alunos do Centro Educacional Santo Antônio - complexo educacional das Osid - encenarão uma peça sobre a vida de Irmã Dulce. A celebração canônica será presidida pelo cardeal d. Geraldo Majella Agnelo.
A cerimônia de hoje coloca Irmã Dulce no mais alto posto de veneração da Igreja Católica antes de uma eventual canonização, após a qual seria reconhecida como santa. A beatificação foi possível depois da comprovação, pelo Vaticano, de um milagre operado em 2001.
O processo foi iniciado em 2003. "Foi muito rápido. Não é comum a beatificação em menos de dez anos", diz a sobrinha de Dulce, Maria Rita Pontes, diretora-geral das Osid.
Dulce ficou conhecida por acolher enfermos necessitados. Na década de 1930, fez fama na comunidade dos Alagados, por invadir imóveis desocupados para dar abrigo e tratar doentes.
Passou mais de uma década invadindo e sendo expulsa de lugares até conseguir, em 1949, convencer a administração do Convento Santo Antônio a transformar a área destinada ao galinheiro em posto de atendimento médico. Foi apelidada de Anjo Bom da Bahia.
Hoje, trabalham nas Osid - entidade sem fins lucrativos, financiada por recursos do Sistema Único de Saúde (SUS), doações e venda de lembrancinhas - 4 mil pessoas. Em 2010, a instituição prestou 5,6 milhões de atendimentos gratuitos a usuários do SUS, idosos, portadores de deficiências e de deformidades craniofaciais e crianças e jovens.
Canonização
Para que Irmã Dulce seja considerada a santa é necessária a comprovação, pelo Vaticano, de mais um milagre atribuído a ela. A Osid tem mais de 5 mil relatos de graças, coletados desde a morte de Irmã Dulce, em 1992. Segundo o assessor de memória e cultura das Osid, Osvaldo Gouveia, cerca de 90% das histórias envolvem curas.
Segundo o postulador da causa no Vaticano, o frei italiano Paolo Vilotta, é necessário que a graça a ser estudada tenha ocorrido após a assinatura da beatificação de Dulce pelo papa Bento XVI, em 10 de dezembro de 2010. Além de não poder ser explicada pela ciência, ela deve obedecer a três requisitos: perfeição (a graça precisa ser completa), instantaneidade e durabilidade - o problema não pode voltar.