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Lula reforça preocupação com bases militares na Colômbia

BBC Brasil
06 ago 2009 às 21:45

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Em encontro com o presidente da Colômbia, Álvaro Uribe, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva "expressou preocupação" sobre o acordo militar entre americanos e colombianos, que está em negociação.

O chanceler Celso Amorim disse que a conversa entre os dois mandatários, que durou cerca de duas horas, "transcorreu em clima de diálogo". Uribe não comentou a conversa e apenas "agradeceu ao presidente Lula pelo diálogo amplo".


O presidente Lula sugeriu ao colega colombiano que sejam oferecidas "garantias" de que o acordo militar se limitará ao território colombiano.


Sobre a resposta de Uribe, Amorim limitou-se apenas a dizer que "as conversas continuam. Não apenas com a Colômbia, mas também com os Estados Unidos".


"Nossas preocupações foram expressas e o presidente Uribe deu explicações que achou que deveria dar sobre os objetivos do acordo", disse Amorim.



Giro


A visita de Uribe ao Brasil faz parte de um giro pela América do Sul, que incluiu sete países. A iniciativa partiu do governo colombiano, depois de ter sido criticado por governos da região pela "falta de transparência" com relação ao acordo com os Estados Unidos.


Segundo um integrante do governo brasileiro, Uribe teria se queixado ao presidente Lula de que o assunto está sendo tratado com "dois pesos e duas medidas", já que programas de defesa em outros países da região não despertaram a preocupação brasileira como acontece agora com o caso colombiano.


Já o presidente Lula reiterou, segundo Amorim, a importância do Conselho de Defesa da Unasul (União das Nações Sul-Americanas), que tem como objetivo, entre outros, discutir questões técnicas e "permitir um clima de confiança".


"Claro que não somos ingênuos. Muitas vezes isso não é uma coisa fácil, mas o objetivo é caminharmos nessa direção", disse Amorim.


Apesar das ponderações do governo brasileiro, Uribe não deve ir à cúpula da Unasul, que acontece nesta segunda-feira, no Equador.


Segundo Amorim, Lula mencionou ainda durante o encontro a "importância de os países da América do Sul assumirem também o combate ao narcotráfico".


"É algo que nós temos que combater, sem ingerências externas", disse o chanceler, referindo-se à participação dos Estados Unidos nos projetos militares da Colômbia.



Périplo


Depois de três dias de viagem pela América do Sul, Uribe ouviu posições diferentes sobre o acordo militar com os Estados Unidos.


Enquanto Bolívia e Argentina foram mais críticos sobre o uso das bases pelos americanos, Peru e Chile adotaram uma postura mais conciliadora, de aceitar o acordo como um projeto "soberano" da Colômbia.


A posição brasileira seria "intermediária", segundo avaliação de uma fonte do governo. O Brasil não estaria interessado em "comprar briga" com os colombianos, justamente no momento em que as relações entre os dois países passam um "ótimo momento".


A crítica do Palácio do Planalto, segundo essa mesma fonte, não seria tanto em relação às bases militares, mas sim à forma como o assunto foi encaminhado – "sem diálogo", o que iria de encontro à proposta da administração de Barack Obama para a região.


A avaliação brasileira é de que a região "mudou" e que, portanto, merece "um novo tratamento".

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"Além disso, faltou considerar a complexidade das relações com o presidente da Venezuela, Hugo Chávez", disse a fonte à BBC Brasil.


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