A Polícia Militar e cerca de mil manifestantes entraram em confronto na tarde de sábado (21) durante a Marcha da Maconha, na Avenida Paulista. Ao menos dois manifestantes foram detidos e levados ao 78.º DP. Eles foram soltos no fim da tarde. Cerca de 10 participantes tiveram ferimentos leves. Depois de proibida pelo Tribunal de Justiça de São Paulo na sexta-feira, a marcha fez seu trajeto entre o vão livre do Masp, na Paulista, e a Praça Dom José Gaspar, no centro, como "marcha pela liberdade de expressão".
A Tropa de Choque foi acionada para impedir que os participantes bloqueassem o trânsito e usou bombas de efeito moral, gás lacrimogêneo e balas de borracha. Os conflitos começaram quando o estudante Alex Soares, de 21 anos, foi preso ao pichar o Masp.
Segundo um dos organizadores do ato, o jornalista Pedro Nogueira, a organização pediu aos participantes para cumprir a ordem de não fazer apologia à droga e nem cometer atos de vandalismo. "Mas não temos como controlar todos", disse ele, ressaltando que a ação da polícia foi abusiva. "Em todas as manifestações, a polícia faz uma raia para isolar o trânsito e ajuda a organizar o ato. Tentei dialogar com eles, mas começaram a jogar bomba."
O mestrando em História Júlio Delmanto afirmou que foi detido quando questionou o capitão Del Vecchio - responsável pela operação - sobre o motivo de a Tropa de Choque ter entrado em ação. "Eles tinham prometido cobertura motorizada da manifestação para zelar pelos manifestantes, mas chegaram lá dispostos a dispersar", disse Júlio.
A Tropa de Choque seguiu o grupo durante todo o protesto, disparando bombas de gás lacrimogêneo e de efeito moral. O capitão Del Vecchio afirmou que os policiais responderam a agressões dos manifestantes. "Eles desobedeceram a uma decisão judicial, trazendo material que faz apologia ao uso de drogas."
Durante a concentração para a Marcha da Maconha, grupos contrários à legalização das drogas fizeram um protesto contra a marcha. Segundo um de seus líderes, o professor de jiu-jítsu Eduardo Thomaz, a legalização das drogas é um retrocesso na sociedade.
Segundo os integrantes da Marcha da Maconha, no próximo sábado haverá nova passeata pela liberdade de expressão.