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Proposta de Mantega para reforma do FMI é derrubada

Agência Estado
04 out 2009 às 16:27

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O comitê político do Fundo Monetário Internacional (FMI) rejeitou a proposta do ministro da Fazenda, Guido Mantega, de transferência de 7% das cotas e do poder de voto às economias emergentes e em desenvolvimento. Prevaleceu a fórmula escolhida na conferência de cúpula do Grupo dos 20 (G-20) realizada em Pittsburgh: "pelo menos 5%", sem indicação de um número preciso.

A transferência é parte da reforma política da instituição. Várias economias emergentes ganharam peso nas últimas décadas e sua participação no FMI ficou desproporcional à sua dimensão. Em contrapartida, algumas economias do mundo rico perderam importância relativa, mas conservaram seu poder de voto. A reforma foi discutida durante anos e a conclusão da atual etapa está prevista para janeiro de 2011.


Segundo Mantega, a expressão usada na declaração de Pittsburgh indica um piso, não um teto, e sua opinião foi seguida, em Istambul, por seus colegas do mundo em desenvolvimento. Anteontem, na véspera da reunião do Comitê Monetário e Financeiro, o secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Timothy Geither, chamou de irrealista a proposta dos 7%.


Algo em torno de 5% "não será mau", disse numa entrevista, na tarde do sábado, o diretor-gerente do FMI, Dominique Strauss-Kahn. Alguns governos pediam mais, outros menos, e "essa é a essência da negociação". Além disso, o resultado final será superior a 7%, argumentou, porque a primeira parte da reforma, de 2008, ainda em fase de implementação, estabelece uma transferência de 2,7%. Logo, o total chegará a 7,7%, no fim da fase atual, concluiu.


Quando o G-20 anunciou a meta de "pelo menos 5%", no fim de sua última reunião de cúpula, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva classificou esse resultado como positivo. Não era tão bom quanto o pretendido, mas era melhor que os 3% propostos por alguns governos europeus. Em Istambul, antes de começar sua participação nas discussões do FMI, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, anunciou a intenção de continuar batalhando pelos 7%. A tentativa, por enquanto, não deu certo.


Segundo números do FMI, as economias emergentes e em desenvolvimento representavam 40% da economia mundial em 2000. Essa fatia deve chegar a 50% neste ano e a 55% em 2014, argumentou Mantega em seu discurso de ontem na reunião do Comitê Monetário e Financeiro. Essa participação é calculada com base na paridade do poder de compra, um critério usado pelas instituições internacionais para corrigir, nas comparações entre países, distorções causadas pelas taxas de câmbio.

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Uma transferência da ordem de 7% levaria o poder de voto daquelas economias a cerca de 50% "e corresponderia aproximadamente à sua fatia de hoje na economia mundial", disse o ministro.


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