Brasil

Secretário: policial que recebeu propina vai para a rua

14 set 2011 às 20:48

O secretário de Segurança Pública do Rio, José Mariano Beltrame, declarou nesta quarta-feira (14) que pretende "botar na rua" os policiais acusados de receber propina de traficantes na Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) dos morros da Coroa, Fallet e Fogueteiro, em Santa Teresa, no centro da capital fluminense.

Beltrame afirmou que a investigação sobre o caso de corrupção foi iniciada pela própria secretaria, e que a pasta tem mecanismos de controle para evitar que esse tipo de desvio se repita.


"Vamos punir, botar essas pessoas na rua e prosseguir com o projeto", disse o secretário, antes de participar do seminário "UPP: um novo modelo de segurança pública?", promovido pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) e pelo jornal "Folha de S. Paulo". "O que posso dizer é que esse trabalho de investigação foi feito por nós e protagonizado por nós. Essas pessoas vão ser punidas por nós e possivelmente vão para a rua."


O caso de pagamento de propina a policiais da UPP da Coroa, Fallet e Fogueteiro foi revelado no domingo, 11. O comandante e o subcomandante da unidade foram afastados no mesmo dia pela Secretaria de Segurança.


Propinas


De acordo com as investigações, os policiais recebiam propinas mensais que variavam de R$ 400 a R$ 2 mil para permitir que traficantes continuassem a atuar nas comunidades.


Durante o seminário, a socióloga Julita Lemgruber apresentou dados da pesquisa "UPP: o que pensam os policiais", do Centro de Estudos de Segurança e Cidadania da Universidade Cândido Mendes, e destacou que 70% dos agentes ouvidos prefeririam não trabalhar nas unidades pacificadoras, mas em batalhões tradicionais. Foram 359 entrevistados em novembro e dezembro do ano passado.


A maior parte dos policiais ouvidos, 63,7%, disse que não pretende continuar na corporação. Já estão procurando trabalho melhor, 22,3%; ou declararam que desistirão da carreira se tiverem outra oportunidade, 41,4%. Para 50,1% dos entrevistados, a pior parte das UPPs é a falta de condições de trabalho.

A FGV também apresentou os resultados de uma pesquisa "Mais Justiça e Sociedade", realizada nas comunidades do Cantagalo, que tem UPP, e Vidigal, que não tem. Para 71% dos moradores do Cantagalo, a segurança melhorou com a pacificação e a nota média dada ao tratamento dispensado pela polícia é de 6,2. No Vidigal, 41% dos moradores acreditam que a segurança melhorará com a chegada da UPP. Na comunidade, a nota do tratamento da polícia fica em 4,7.


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