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Denúncias no Ligue 180

Violência digital contra mulheres dispara no Brasil, aponta levantamento

Redação Bonde com Agência Brasil
24 jun 2026 às 14:09

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Foto: Reprodução / Magnific
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As denúncias de violência contra mulheres em ambientes digitais registraram forte crescimento no Brasil. Dados divulgados pelo Ministério das Mulheres mostram que, entre janeiro e maio de 2026, a Central de Atendimento à Mulher – Ligue 180 recebeu 16.725 registros relacionados a esse tipo de crime, número 188,6% superior ao contabilizado no mesmo período do ano passado, quando foram registradas 5.795 ocorrências.


O avanço dos casos evidencia o uso cada vez mais frequente de redes sociais, aplicativos de mensagens, plataformas de jogos e outros espaços virtuais para práticas como perseguição, ameaças, chantagem, exposição indevida de conteúdo, humilhação, intimidação e controle de meninas e mulheres.

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Para a ministra das Mulheres, Márcia Lopes, o aumento dos registros não necessariamente significa que a violência tenha crescido na mesma proporção, mas pode indicar que mais vítimas estão buscando ajuda e denunciando os abusos. Segundo ela, a ampliação da confiança nos canais de atendimento e a melhoria do acolhimento oferecido às mulheres ajudam a reduzir a subnotificação dos casos.


Com o objetivo de aprimorar a resposta às vítimas, o Ministério das Mulheres promoveu neste mês a capacitação de cerca de 350 profissionais que atuam no Ligue 180. A iniciativa foi realizada em parceria com a Secom (Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República) e busca preparar as atendentes para identificar diferentes formas de violência digital e orientar adequadamente quem procura auxílio.


Além do treinamento, o sistema de atendimento passou por atualizações para incluir categorias específicas de violência praticada pela internet. A coordenadora-geral do Ligue 180, Ellen Costa, afirma que a mudança permite um retrato mais fiel da realidade enfrentada pelas mulheres e fortalece a capacidade de encaminhamento dos casos.


Atualmente, os diversos canais do Ligue 180 registram cerca de 3 mil atendimentos por dia. Aproximadamente 30% dessas demandas resultam em denúncias formais, enquanto o restante corresponde a pedidos de informação, orientação e apoio.


Os dados também revelam que a violência digital ganhou relevância entre as ocorrências registradas pelo serviço. Em apenas um ano, esse tipo de denúncia passou da sétima para a quinta posição entre os casos mais comunicados ao canal.


O perfil das vítimas mostra que as mulheres negras representam quase metade dos registros. Em 2025, elas corresponderam a 48% das denúncias, sendo 37,5% de mulheres pardas e 10,5% de mulheres pretas. As mulheres brancas responderam por 34,2% dos casos.


A faixa etária com maior incidência de denúncias é a de 35 a 44 anos, responsável por 21,6% das ocorrências. Quando considerada a população entre 25 e 49 anos, o percentual ultrapassa a metade dos registros. O levantamento também aponta vulnerabilidade econômica entre as vítimas: quase 46% não possuem renda própria ou recebem até um salário mínimo.


As mudanças no atendimento do Ligue 180 acompanham a entrada em vigor do Decreto nº 12.976/2026, que estabelece medidas de proteção às mulheres na internet. A norma define responsabilidades para plataformas digitais e cria mecanismos para prevenir e combater a violência online.


Segundo a diretora de Políticas Digitais da Secom, Marina Pita, o objetivo é garantir que mulheres possam exercer sua liberdade de expressão sem serem afastadas dos ambientes digitais por causa de ataques, perseguições ou exposição indevida.


Entre as novidades previstas pelo decreto está a obrigatoriedade de remoção, em até duas horas, de imagens íntimas divulgadas sem consentimento, conforme previsto no Marco Civil da Internet. O texto também equipara os chamados “deep nudes” — imagens falsas produzidas por inteligência artificial — a conteúdos reais de nudez, reconhecendo que os impactos para as vítimas são semelhantes.


As medidas integram as ações do Pacto Brasil entre os Três Poderes para o Enfrentamento do Feminicídio, lançado neste ano pelo governo federal. A ministra Márcia Lopes também defendeu a aprovação do Projeto de Lei nº 896/2023, que busca criminalizar a misoginia e equipará-la ao crime de racismo.

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Para ampliar a divulgação das novas regras e conscientizar a população, o Ministério das Mulheres lançou a campanha nacional “O Digital é Nosso Lugar”, com o slogan “Nossa Conexão é Livre. Proteja. Denuncie. Ligue 180”, reforçando a importância da denúncia e do combate à violência contra mulheres nos ambientes virtuais.

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