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Criminosos usam sites e apps para captarem dados pessoais na Black Friday

Paula Soprana/Folhapress
09 nov 2021 às 11:31

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Pixabay
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A chegada da Black Friday estimulou a criação de páginas e aplicativos fraudulentos para captar dados bancários e outras informações pessoais de consumidores na internet. Comum em datas comerciais, o golpe online ganha sofisticação, e as imitações de sites, aplicativos e perfis de empresas em redes sociais estão cada vez mais fidedignas.


Levantamento da Axur, empresa de cibersegurança que atende grandes empresas de comércio eletrônico e varejo, aponta para aumento de 80% de casos de phishing no terceiro trimestre deste ano na comparação com os três meses anteriores. Phishing (de fish, peixe) é a prática de "pescar" o usuário de internet para que ele clique em um link malicioso.

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WHATSAPP: As regras de privacidade dos grupos são definidas pelo WhatsApp.
Ao entrar, seu número pode ser visto por outros integrantes do grupo.


Perfis falsos de redes sociais atribuídos a marcas têm sido o principal meio de atuação de criminosos. Depois, vêm os aplicativos e os sites, em menor proporção. Marcela Burrattino foi vítima de páginas e perfis fraudulentos na hora de vender e comprar produtos online. Anunciou um iPhone por cerca de R$ 2.000 no Mercado Livre. Nas horas seguintes, começou a receber mensagens no WhatsApp de diferentes interessados.


Leia também: PM (Polícia Militar) de Arapongas registra golpes do falso sequestro e orienta como agir nas situações


Um deles chamou mais a atenção. Disse que já havia comprado o produto e que iria de Uber até sua casa para pegar o aparelho. Para comprovar, enviou uma mensagem com o printscreen de um email encaminhado para ela. O conteúdo do email tinha visual idêntico ao do Mercado Livre, mas Marcela desconfiou porque seu aplicativo não indicava que a transação havia ocorrido.


"Resolvi colocar outro endereço de email na área de contato, completamente desvinculado da conta do Mercado Livre. As confirmações de venda começaram a chegar nesse email e entendi que se tratava de um golpe", diz.


As confirmações de pagamento no site são enviadas de forma automática aos emails cadastrados por usuários. No caso do Mercado Livre, a mensagem é disparada Assim que o pagamento é efetuado. Ao incluir um endereço sem relação alguma com a plataforma, Marcela confirmou que os golpistas estavam enviando mensagens manualmente.


"Nunca mais coloquei nada à venda na internet. Eu trabalho com e-commerce, sei tudo sobre isso, e caí em golpes que foram bem feitos", diz.


Em outra ocasião, clicou em um um link encaminhado pelo WhatsApp e foi direcionada a um site aparentemente idêntico ao das Americanas. Se interessou por uma TV com 78% de desconto.


Além da mesma identidade visual (cores, logo, disposição dos ícones), a página continha informações de rodapé iguais ao do site oficial e diversas avaliações de usuários que supostamente haviam comprado a televisão, com comentários elogiosos e estrelinhas.


Marcela só evitou cair na fraude quando o site solicitou a senha de seu cartão –sites de compra não exigem senhas de cartões.


"Esqueça a velha ideia de checar a veracidade de uma página apenas tentando encontrar erros de português. Isso não existe mais. As páginas não têm mais erros, vêm com o cadeadinho de segurança e o 'https' [um indicativo de que a URL é segura]", afirma Thiago Bordini, diretor na área de inteligência contra ameaça cibernética da Axur.


O relatório da Axur mostra 3.020 páginas falsas com menção a marcas de e-commerce no último trimestre deste ano. Bancos e empresas do setor aparecem com 34,5% das incidências.


O mote, no segundo caso, também é a Black Friday. Perfis falsos de fintechs e bancos anunciam limites em cartões de crédito, condições especiais de parcelamento e outros benefícios a serem contratados antes do evento de varejo online.


O relatório é realizado a partir do rastreamento diário na web superficial e na deep e dark web (cujas páginas não são indexadas em buscadores como o Google) de links fraudulentos que possam vir a afetar a base de cerca de 200 clientes da empresa. Trata-se de uma amostra do setor privado, portanto representa uma tendência, não uma estatística oficial.


O Cert.br (Centro de Estudos, Resposta e Tratamento de Incidentes de Segurança no Brasil), um grupo de resposta a incidentes de segurança nacional, mantido pelo Comitê Gestor da Internet, indica que as fraudes representaram apenas 5% dos ataques reportados na internet em 2020.


O primeiro lugar, com 60%, ficou com o scan –varreduras em redes de computadores com o intuito de identificar quais computadores estão ativos e quais serviços estão sendo disponibilizados por eles. É um dos passos do agora chamado ransomware, crime cada vez mais popular em que dados de grandes empresas são sequestrados e liberados somente mediante pagamento.


Embora o phishing diminua ano a ano frente a outros ataques, ele sempre volta a ter relevância em datas comerciais.


"O ataque costuma aumentar no fim do ano. A Black Friday é o Natal dos criminosos na internet", diz Tiago Tavares, da organização Safernet.


O PhishTank, um site que reúne denúncias de phishing de todo o mundo, mostra o esmero da imitação de algumas páginas. Criminosos conseguem reproduzir fielmente páginas como a da Amazon. Só é possível , identificar que se trata de uma fraude ao verificar o endereço da URL, que inclui outras palavras e caracteres.


Segundo especialistas, é cada vez mais comum a compra por criminosos de domínios semelhantes ao de marcas originais (um exemplo seria "aamazon", com dois 'a') e de palavras-chave ligadas a produtos, para impulsionar as páginas no Google. As gangues também compram anúncios e conseguem, assim, promover seus links para que apareçam antes nos resultados de busca.

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É, portanto, mais seguro, ao menos no período da Black Friday, não clicar no primeiro resultado da página ou voltar a acessar os sites como nos primórdios da internet: www.enderecodesejado.com.br.

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