O anúncio de que o pedágio pode subir até 12% irritou entidades civis do Paraná. Na avaliação da Federação da Agricultura do Paraná (Faep), Organização das Cooperativas do Paraná (Ocepar), Associação dos Usuários de Rodovias e a Federação das Empresas de Transporte de Cargas (Fetranspar), o aumento proposto está fora da realidade de mercado e pode afetar a economia local.
Até agora, o governo não anunciou oficialmente em quanto vai aumentar a tarifa. Mas extra-oficialmente, o índice deve variar entre 9% a 12%.
De acordo com o presidente da Faep, Ágide Meneguette, os índices estabelecidos para a recomposição de preços não batem com os valores medidos da inflação. "A nossa economia trabalha com uma inflação de 6% a 7%", complementou o presidente da associação dos usuários, Paulo Muniz, que também preside a Associação dos Avicultores do Paraná (Avipar).
"O governo precisa sentar com os setores produtivos e conversar sobre novos critérios de cobrança do pedágio", afirmou Nelson Costa, gerente técnico da Ocepar. Ele defende que pequenos produtores e o setor agrícola tenham tarifas diferenciadas para poder competir no mercado. Hoje, conforme dados da Faep, o custo pedágio tira até 4% da receita do produtor paranaense.
"O impacto é grande, a ponto de produtores da região dos Campos Gerais optarem por escoar a sua safra pelo porto de Itajaí (SC) para não pagar pedágio", afirmou. Meneguette disse que não há como repassar a alta da tarifa para o mercado. "Os preços são fixos e internacionais, por isso quem absorve o reajuste é o agricultor."
Apesar dessa situação, o presidente da Fetranspar, Walmor Weiss, disse que o governo não tem mostrado interesse em discutir esses reajustes. "Está faltando transparência na definição do aumento", criticou. Mas o secretário de Transportes, Nelson Justus, informou, por meio de sua assessoria, que está aberto para ouvir essas entidades.
Porém, mesmo que se abra diálogo, o governo não poderá alterar o reajuste sem anuência das concessionárias. O contrato não permite modificações sem acordo mútuo. E, de acordo com o diretor executivo da Associação Brasileira das Concessionárias de Rodovia no Paraná, João Chiminazzo Neto, as empresas estão tendo "fluxo de caixa contábil negativo", que seria o pagamento dos financiamentos iniciais.
Pelo cronograma, as empresas devem enviar uma carta solicitando o reajuste dentro de uma semana. Somente depois o governo vai se posicionar sobre o assunto.