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Dalcanale classifica de "arbitrária" intervenção do BC

Carmem Murara - Folha do Paraná
30 mar 2001 às 11:55

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O empresário Alberto Dalcanale Neto, ex-presidente do Banco Araucária, afirmou ontem que foi uma decisão "arbitrária" do Banco Central a liquidação extrajudicial da instituição financeira. Segundo Dalcanale, o banco estava em processo de reestruturação e já havia pedido R$ 1,7 milhão ao Banco Central para zerar suas contas e se capitalizar. O Banco Central aproveitou esta oportunidade para intervir.

Dalcanale falou à TV Paranaense ontem, apesar de ter dito que só se manifestaria após conclusão do relatório do Banco Central, pois o que declarasse poderia ser usado contra ele pelo Banco Central. Ele se disse "chocado" com a atitude do presidente do Banco Central, Armínio Fraga. O empresário afirmou não ser intenção do banco que os clientes tivessem prejuízo.


O empresário, no entanto, não tem mais qualquer interferência na administração do Araucária, que agora passa a ficar a cargo do interventor Rui Ferreira da Costa. Dalcanale e os demais sócios do banco estão com os bens indisponíveis. Esse patrimônio servirá para quitar as dívidas e o rombo do banco.


O interventor do Araucária, Rui Ferreira da Costa, cogitava reabrir hoje as agências. Mas isso ainda não estava definido até o início da noite de ontem. Somente as pessoas que tinham aplicações até R$ 20 mil poderão fazer o saque no mesmo dia, pois o pagamento está assegurado pelo Fundo Garantidor de Crédito. Acima desta quantia, os clientes só conseguirão o dinheiro se entrarem na Justiça e se habilitarem para a massa falida, o que poderá demorar anos. Neste caso, não há garantia de recebimento, pois serão os bens dos antigos donos que irão cobrir o rombo da instituição.


A equipe nomeada pelo Banco Central passou o dia de ontem analisando a documentação encontrada para tomar ciência da situação. Segundo o preposto do interventor, Celso Roberto Heitzweber, os telefones não pararam de tocar desde o primeiro dia das mudanças. "Não temos muitas pessoas vindo até a agência, mas temos uma fila no telefone. Está terrível", afirmou Heitzweber.


O Araucária se caracteriza como um banco de investidores da classe média que possuem aplicações em fundos. "Não é bóia fria que tem conta CC-5", brincou Heitzweber, ao fazer uma referência a quantidade de contas que só podem ser abertas por estrangeiros que querem enviar dinheiro a seus países de origem. O banco Araucária é investigado pelo envio de R$ 2,3 bilhões para o exterior pelas CC-5. A suspeita do Ministério Público Federal é de que haveria lavagem de dinheiro nas operações.


Dalcanale nega irregularidades. "Sofremos uma inspeção em dezembro e no relatório não fala nada sobre lavagem de dinheiro", afirmou.


O interventor do Araucária não forneceu ainda a quantidade de clientes. O banco tem, no entanto, 507 contas de depósito. A princípio os 73 funcionários continuam trabalhando nas três agências que o banco possui: duas em Curitiba e uma em Foz do Iguaçu. Mas aos poucos, parte deste contingente deve ser dispensada.

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Ao contrário do Araucária, a administradora de consórcios Multplan está atendendo os consorciados desde o primeiro dia da intervenção. Ontem foi mais um dia em que vários clientes foram até a empresa. O interventor Valdor Faccio passou a tarde recebendo pessoas que foram lesadas. Ao todo são 2800 consorciados. O consórcio estava com 45 grupos, mas em vários casos as pessoas não estavam mais pagando ou então já haviam quitado o consórcio e não receberam o carro ou moto.


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