O presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Fernando Bezerra, criticou o déficit comercial histórico do Brasil na balança comercial com a Alemanha, na abertura do Encontro Econômico Brasil-Alemanha, que está acontecendo em Curitiba. O encontro teve a participaçãodo vice-presidente da República, Marco Maciel, do governador Jaime Lerner e de representantes empresariais e diplomáticos dos dois países.
"O acesso dos produtores brasileiros ao mercado alemão, em especial na área agricola, é prejudicado pelo sistema de subsídios praticados entre os países da Unidade Européia, causando um prejuízo no saldo comercial para o Brasil", disse Bezerra.
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Apesar da balança comercial ter tido uma melhora na década de 90, o Brasil sempre se manteve em déficit. Em 2000, o País fechou o ano com um déficit de US$ 1,9 bilhão. "Este resultado deve se agravar este ano", afirmou. Até setembro, o saldo já chegou a um déficit de US$ 1,8 bilhão, cerca de 29% superior ao registrado nos nove primeiros meses de 2000.
O vice-presidente da Federação da Indústria da Alemanha, Bernd Gottschalk, respondeu à crítica mostrando-se confiante de que os investimentos alemães no País devem aumentar, principalmente nos setores energético, automobilístico e de máquinas. "O Mercosul e Europa são os mais importantes parceiros comerciais hoje, e a cooperação entre eles devem ser aprofundadas, afastando-se estas barreiras", afirmou.
O embaixador da Alemanha no Brasil, Uwe Kaestner, também ressaltou a expectativa de crescimento de investimentos da Alemanha no Brasil. "Na década de 90 a Alemanha passou por uma transformação interna com a unificação e muitas empresas tiveram que se readequar para se tornar competitivas. Com isso, a Alemanha praticamente ficou de fora da primeira onda de privatizações no setor de serviços. Agora já se fala sobre isso no país", disse, lembrando que o interesse maior recai sobre as empresas do setor energético.
A Alemanha é o terceiro maior parceiro comercial do Brasil. Nos dois útlimos anos (1999 e 2000), o fluxo de comércio entre os países representou 6,8% do intercâmbio global do Brasil. Os negócios fechados e investimentos a serem acertados no encontro, no entanto, só devem ser conhecidos hoje à tarde. Durante os dois dias, cerca de 500 empresários dos dois países estarão participando de painéis e workshops sobre Mercolsul, União européia e Alca orientando-os sobre possíveis negócios.
O governador Jaime Lerner se mostrou otimista com os investimentos alemães no Paraná. "Assim como eles foram pioneiros em nosso Estado, com a Siemens e a Bosch, por exemplo, a expectativa é que esses investimentos aumentem porque nós representamos uma nova fronteira de novos concumidores, com necessidades de novas infra-estruturas, de qualidade de vida, de mais investimentos. E isso dá perspectiva real de crescimento a estas empresas", afirmou.