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Especialista defende reorganização do sistema energético

Emerson Cervi - Folha do Paraná
09 mar 2001 às 09:00

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Independente dos debates políticos e ideológicos, Maurício Tomalsquim, coordenador do programa de Planejamento Energético e professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), defende que tecnicamente esse é o pior momento para a desestatização do setor energético no Brasil. Segundo ele, os reservatórios de água da região Sudeste estão próximos do limite crítico, há riscos de racionamento de energia ainda em 2001 e a iniciativa privada não tem interesse em fazer investimentos na geração, que só oferece retorno financeiro a médio prazo.

"O brasileiro está pagando uma das tarifas mais caras do mundo e corremos o risco de racionamento, apesar disso o governo continua nessa cruzada insana de desestatização a todo custo, estão faltando decisões menos ideológicas por parte das autoridades", afirmou Tomalsquim, ontem, no seminário "Energia Elétrica: privatização, regulação econômica e seus impactos para os consumidores". Relatório divulgado pela Aneel contesta a informação de que pagamos tarifa cara em relação a outros países. Pesquisa entre 33 países coloca o Brasil na 9ª posição, com preço mais baixo em relação a Estados Unidos, Chile, Inglaterra, Suíça, Portugal, Argentina, Espanha, Itália, Uruguai, entre outros.


O nível atual dos reservatórios de água nas hidrelétricas na região Sudeste é de 33%. Em março de 2000 era de 45%. Se não houver uma elevação desses níveis para 50% até o final de abril haverá racionamento de energia na região durante o segundo semestre. "A partir de abril entramos no período seco do ano". A possibilidade de racionamento faz parte de um documento do órgão federal que trata desse assunto, o Operador Nacional do Sistema (ONS). "Até o próprio governo reconhece o risco."


O processo de exaustão dos reservatórios das hidrelétricas não é recente. No final de 1997 as reservas de água para geração de energia eram de 66% da capacidade. No final do ano passado elas estavam em 28%. "Além de não haver investimentos na geração, também faltam na transmissão", lembra o professor.

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Embora a região Sudeste apresente risco de racionamento, está sobrando água nos reservatórios de hidrelétricas do Sul do País. "O problema é que não há como levar o excedente de energia para o Sudeste por falta de linhas de transmissão", lamenta Tomalsquim. "Estamos pagando por erros cometidos por nós mesmos, mas a solução destes erros não é a privatização e sim a reorganização do sistema." Para ele, o processo de privatização vai fazer com que o país perca um dos principais instrumentos de desenvolvimento de que dispõe.


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