A fila de caminhões que esperam para desembarcar soja, farelo e milho, no Porto de Paranaguá, atingiu ontem uma de suas maiores extensões na BR-277. No meio da tarde eram 40 quilômetros de caminhões enfileirados às margens da rodovia, o que representava 2.384 caminhões estacionados. A situação começa a chegar num ponto crítico na avaliação dos próprios motoristas. Eles reclamam da falta de infra-estrutura para alimentação e higiene pessoal e ainda se dizem vítimas de assaltos durante à madrugada.
"Tem vários colegas que foram assaltados no trecho entre o trevo e o pátio do estacionamento", afirmou um caminhoneiro que preferiu não divulgar o nome. Ele disse que está 15 horas à espera de uma vaga para entrar no pátio de triagem. O tempo total de espera chega a 24 horas e há casos em que um motorista demorou um dia e meio para descarregar, conforme informação da Administração dos Portos de Paranaguá e Antonina (Appa).
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Os caminhoneiros pedem que o governo reforce a segurança na rodovia, com a colocação de mais policiamento. Alguns sugeriram ontem que a Ecovia, concessionária que explora o pedágio na BR-277, ajude a manter a segurança e a avisar os motoristas sobre o movimento das filas. "A gente dorme na madrugada e a fila se movimenta, formando espaços vazios. Seria bom se a Ecovia desse uma mão. Afinal pagamos pedágio", disse o mesmo caminhoneiro.
O escoamento da safra de soja começou mais cedo este ano. Desde janeiro já foram embarcadas 581.049 toneladas de soja em grão e 778.715 toneladas de farelo. O volume extrapola em 122% o mesmo período no ano passado. A exportação de milho também está aquecida. Já chegaram ao porto 576 mil toneladas do produto, ou seja, 10 vezes mais do que em todo o ano passado.
A expectativa é que sejam movimentadas 4,6 milhões de toneladas de grãos nesta safra, entre soja e milho. Ontem, três navios estavam atracados para carregamento no corredor de exportação, enquanto outros 19 aguardavam ao largo para atracar.