A Força Sindical do Paraná vai solicitar aos deputados estaduais que não aprovem a mensagem do governador Jaime Lerner que extingue a Secretaria de Emprego e Relações do Trabalho (Sert), cuja funções devem ser incorporadas pela Secretaria do Planejamento e Desenvolvimento Econômico. O órgão teme pela gestão de recursos do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT).
O governador Jaime Lerner anunciou a mudança, junto com a reforma do secretariado, no final do ano passado, mas é preciso ainda aprovação da Assembléia Legislativa. ''Ao extinguir a secretaria, o governador Jaime Lerner não dá importância à industrialização atual do Paraná'', afirmou o presidente estadual da Força, Sérgio Butka.
Para ele, a proposta é um ''grande retrocesso'' para a economia paranaense. ''No estágio atual de industrialização paranaense, será uma grande falha não ter secretaria de emprego'', criticou.
Butka se disse preocupado com a administração dos recursos do FAT, que no ano passado somaram R$ 19,4 milhões apenas para a qualificação de trabalhadores no Paraná. Cerca de 165 mil pessoas receberam treinamento com esse montante. Em 1995, ano que foi criada a Sert, o repasse do FAT para o Estado foi de apenas R$ 1,5 milhão para a qualificação de 18 mil profissionais. No ano seguinte, esse valor passou para R$ 7,8 milhões, beneficiando 95 mil pessoas. ''Nosso grande medo é que o Estado volte para o patamar de 1995'', apontou Butka.
Para a Força Sindical, o argumento do governador Jaime Lerner em extinguir a Sert para enxugar a máquina administrativa não procede. ''A secretaria é mantida com dinheiro federal, do FAT'', afirmou. Segundo a assessoria de imprensa da Sert, o governo estadual entra com 20% dos recursos e o FAT com 80%. A previsão do órgão é que neste ano o repasse do FAT chegue a R$ 19,4 milhão, como em 2001, mas que o número de profissionais treinados chegue a 186 mil. A reportagem procurou representantes da Sert ou da nova Secretaria do Planejamento para falar sobre o assunto, mas ninguém quis se pronunciar.