A viagem do secretário da Fazenda, Ingo Hubert, nesta segunda e terça-feira ao Rio de Janeiro, reforça a informação que vem circulando no mercado de que o governo estuda vender apenas suas ações e o controle acionário da Companhia Paranaense de Energia Elética (Copel). Com isso, o preço mínimo da estatal cairia no mercado e as empresas que desistiram do leilão voltariam a se interessar pela compra da Copel, porque elas querem o controle acionário que dá o comando da empresa.
O BNDES não confirma, mas fala-se que Hubert teria ido à sede do banco tentar desvincular as ações do BNDEspar, do bloco de venda da estatal. O governo paranaense detém 58,6% do capital ordinário da empresa (31,1% do capital total). O BNDESPar possui outros 24,4% do capital total, enquanto 43,4% estão pulverizados em bolsa, em poder de acionistas minoritários.
Receba nossas notícias NO CELULAR
WHATSAPP: As regras de privacidade dos grupos são definidas pelo WhatsApp.Ao entrar, seu número pode ser visto por outros integrantes do grupo.
Se o governo conseguir se desfazer das ações do BNDES e dos minoritários, o preço minímo cairia de R$ 5,068 bilhões para R$ 3,5 bilhões, calculou um analista. Esse valor tornaria a Copel atrativa novamente para os grupos pré-qualificados pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), como a empresa belga Tractebel e as empresas Vale do Rio Doce e Votorantim, que havia se associado através do consórcio Maromba. A GP investimentos, outro grupo pré-qualificado, não se manifestou.
Se ocorrer um descolamento das ações, como está comentando o mercado, certamente o valor das ações ordinárias em poder dos minoritários e do BNDEspar tendem a cair, disse o analista Marcos Severini, do banco Sudameris. Atualmente, as ações ordinárias que dão direito à voto e permitem o recebimento de dividendos por parte de seus controladores valem mais do que as ações PN. E o normal de mercado seriam as ações PN valer mais, disse Severini.