A Comissão de Empresa dos Empregados do HSBC, que reúne sindicalistas de todo o País, decidiu apresentar queixas formais contra o banco a órgãos internacionais de defesa do trabalhador.
Há duas semanas o Sindicato dos Bancários de Curitiba e Região Metropolitana denunciou que entre 1997 e 2000 o HSBC fez espionagem, com interceptação ilegal de ligações telefônicas, de sindicalistas paranaenses.
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Essas ações, se forem comprovadas, ferem os princípios da Organização Internacional do Trabalho (OIT). As denúncias foram formalizadas à CPI da Telefonia, que investiga grampos telefônicos no governo do Paraná e em comitês políticos.
Na reunião em Curitiba, os sindicalistas também decidiram protestar contra o banco no dia 12 de junho e encaminhar denúncias formais à Confederação Internacional das Organizações Sindicais Livres (Ciols), à OIT, à Federação Internacional dos Empregados Técnicos e Profissionais (FIET) da Europa e a outros organismos de trabalhadores.
"Queremos, no mínimo, que o banco faça uma retratação pública por ter promovido investigações ilegais da vida de dirigentes sindicais", disse o presidente do sindicato, José Daniel Farias.
A comissão de empresa reúne os representantes sindicais que trabalham no HSBC em todo o País. O secretário de organização da Confederação Nacional dos Bancários (CNB) e funcionário do HSBC, Sérgio Siqueira, disse que o banco já foi notificado oficialmente pela 20ª vara cível para apresentar esclarecimentos sobre as denúncias. A direção do HSBC terá 15 dias a partir de hoje para apresentar as respostas. A Justiça também remeteu o processo para o Ministério Público acompanhar o caso.
Nesta quarta-feira, o diretor da área de segurança do HSBC em Curitiba, Florindo de Lima, presta depoimento no Fórum Criminal. Ele é testemunha no Inquérito Policial Militar (IPM), aberto para investigar o envolvimento de policiais militares em atividades de espionagem para o banco. "Dependendo do que ele falar nesse depoimento, as coisas podem piorar para o HSBC", antecipou Farias.
A única manifestação oficial do HSBC sobre o caso foi uma carta do presidente do banco inglês no Brasil, Michael Geoghegan, ao sindicato dos bancários. Na correspondência, o presidente do HSBC diz que depois de analisar os documentos considera que pelo menos um deles seria falso. O banco não reconhece a autenticidade das denúncias.
Os bancários também oficializaram denúncia na Polícia Federal, no Banco Central e no Ministério das Relações Internacionais, por se tratar de uma empresa multinacional. Desde que as denúncias tornaram-se públicas, o sindicato dos bancários vem recebendo muitos telefonemas com informações sobre outras ações irregulares da direção do banco contra funcionários. Por isso, ontem a comissão decidiu lançar a caixa postal 13.544, em Curitiba, para receber denúncias contra o banco.