A população, de forma geral, pode não entender o significado de alimentos transgênicos. Mas aprendeu a equacionar seu consumo tendo como parâmetros os riscos e benefícios dos produtos. Foi assim que a presidente do Instituto de Defesa do Consumidor, Marilena Lazzarini, abriu sua palestra ontem em Curitiba no encontro Brasil e Grã Bretanha de Plantas Transgênicas.
Antes da palestra, os organizadores exibiram um vídeo com diversas entrevistas feitas com a população que revelou total desconhecimento sobre o que significa produtos transgênicos. Para Lazzarini, o consumidor pode não saber do que se trata, "mas tem a percepção do que é bom para a sua saúde ou não". Assim como rejeita um alimento transgênico porque acredita que fará mal a sua saúde, não rejeita um medicamento de alta tecnologia que poderá livrá-lo de uma doença, citou como exemplo.
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Enquanto isso, os defensores da introdução apressada dos alimentos transgênicos, tentam vender para a opinião pública a ideía de que está havendo desconhecimento e tudo não passa de um problema de comunicação. Acontece que a opinião pública não confia nas autoridades e empresas, depois de ter presenciado casos dramáticos como a da talidomida, agrotóxicos e agora a doença da "vaca louca".
Por outro lado, Marilena Lazzarini, salientou que os membros do Idec estão devidamente preparados para enfrentar qualquer debate à respeito de produtos transgênicos, inclusive participaram da CTNBio - Comissão Técnica Nacional de Biossegurança, representando o consumidor. Lazzarini abordou a rejeição não só do consumidor brasileiro, mas também do consumidor inglês a respeito de produtos transgênicos.
A preocupação desses consumidores é que se esses produtos forem liberados, serão consumidos produtos derivados da soja, milho, trigo que são alimentos básicos. " O que está em jogo é a mudança da base alimentar de populações inteiras", alertou.
Para a representante dos consumidores, o cerne da questão está no fato de que os governos estão autorizando esses produtos de forma precipitada, sem a devida avaliação de riscos e sem respeitar o direito de escolha e informação do consumidor. O Idec está pleiteando na Justiça, caso os OGMs (Organismos Geneticamente Modificados), a necessidade de rotulagem que identifica esses produtos aos consumidores.
Para a representante do Idec, os pesquisadores não apresentam resultados com os impactos provocados pelos produtos transgênicos sobre o meio ambiente e a saúde da população, a médio e longo prazo. Até agora, A CTNbio só apresentou resultados de exames de toxicidade aguda, de curtíssimo prazo, e não exigiu estudos sobre toxidade crônica.