A Justiça do Rio Grande do Sul determinou a prisão de cinco empresários de Curitiba envolvidos com sonegação de ICMS naquele estado. Os empresários, Italo Belon Neto, Victor Manuel Pires Bico, Adalberto Gineste, Joel Teixeira e Moacir dos Santos de Oliveira, que constam como proprietários da empresa Álcool Araucária Distribuidora, com sede em Campo Largo, estariam foragidos. Além da prisão, a Justiça gaúcha determinou o sequestro dos bens da empresa e dos empresários envolvidos.
A prisão foi decretada após denúncia oferecida pelo Ministério Público de Porto Alegre que constatou crime de sonegação fiscal que alcançou mais de R$ 4 milhões. NO ano passado, durante oito meses o MP gaúcho apurou o desvio de mais de 10 milhões de litros de álcool, que foram vendidos naquele Estado sem o recolhimento de um tostão de imposto, afirmou o promotor de Justiça do Rio Grande do Sul Rogerio Gil Braga. Para se ter uma idéia, esse volume corresponde ao carregamento de 342 caminhões-tanque de combustível.
Receba nossas notícias NO CELULAR
WHATSAPP: As regras de privacidade dos grupos são definidas pelo WhatsApp.Ao entrar, seu número pode ser visto por outros integrantes do grupo.
Conforme denúncia do MP, esse álcool era enviado pela matriz da empresa Álcool Araucária Distribuidora no Paraná para a filial com sede em Cachoeirinha, região da Grande Porto Alegre. O combustível era transferido com nota de devolução sob o pretexto que a filial iria envasar e embalar o álcool que voltaria à matriz. Esse procedimento constava na escrituração fiscal, mas não era praticado e o álcool era desovado no RS mesmo, disse o promotor.
Durante o período de investigação o MP gaúcho apreendeu notas fiscais falsas de devolução, lançamento de alíquotas e escrituração falsa, comprovando crime de sonegação fiscal.
Após enviar o caso para a Justiça, o MP gaúcho ainda remeteu cópias do processo para o Ministério Público do Paraná apurar se houve crime de lesão fiscal aqui no Estado também. De acordo com o promotor se o crime da Álcool Araucária envolve também adulteração de combustível, isso deve ser investigado pela Justiça paranaense. Foi em Curitiba que a empresa ganhou destaque nos jornais e na imprensa em geral, suspeita de adulterar combustível.
Os cinco empresários constam ou constaram como proprietários da empresa durante o período de investigação do MP do Rio Grande do Sul, daí o envolvimento de todos em crime de sonegação fiscal.
CPI dos combustíveis
A empresa Álcool Araucária Distribuidora, com sede em Campo Largo, vinha sendo investigada pela CPI dos Combustíveis, suspeita de adulteração de combustível. A investigação começou desde que foram apreendidos, no ano passado caminhão da empresa na BR-116 com uma remessa de solvente, acompanhada de nota fiscal de álcool.
Durante a investigação, o proprietário da época Italo Belon Neto teria passado a empresa em nome de Joel Teixeira, que seria um ex-funcionário da Álcool Araucária. De acordo com Amaral, a CPI dos combustíveis enviou cópia do processo que corria aqui no Paraná, para que o MP gaúcho investigasse as ações da filial da empresa, no município de Cachoeirinha.
Chamou a atenção dos parlamentares, durante os desdobramentos das investigações, a ocorrência de mudança de razão social da empresa num período muito curto. De acordo com Amaral toda a documentação encontrada era fria e com irregularidades. Amaral promoeteu para essa semana um relatório final da CPI dos Combustíveis que será "pesado", avaliou.